Atos que por semanas ocuparam ruas da Argentina em defesa da vice-presidente Cristina Kirchner tornaram-se nesta sexta-feira (2/9) uma mobilização que reúne milhares em Buenos Aires, nos arredores da Praça de Maio, em repúdio ao ataque que a peronista sofreu na véspera.
A maioria dos presentes defende a vice e já vinha se manifestando por acreditar que Cristina é alvo de perseguição judicial. Os atos desta sexta, porém, também reuniram argentinos que foram às ruas tendo como principal bandeira a crítica à violência política, escancarada no atentado à ex-presidente.
O decreto de Alberto Fernández, que transformou esta sexta em um feriado nacional em solidariedade a sua vice, também catalisou as manifestações ao favorecer o comparecimento em peso às mobilizações.
Segundo o jornal La Nación, todos os ministros do governo devem participar dos protestos. Não está claro, porém se o presidente —que vive uma disputa interna de poder com Cristina— se juntará a eles.
A maior manifestação tem como destino a emblemática Praça de Maio, onde desembarcaram centenas de pessoas durante a manhã, vindas de diferentes partes da capital, e para onde devem fluir as demais mobilizações espalhadas por Buenos Aires. A praça abriga não só dezenas de coletivos políticos, como também cidadãos independentes, que não pertencem a partidos ou organizações.
Acompanhadas dos pais, crianças formam parte notável da concentração. As arquitetas de La Plata Eugenia Rodriguez Daneri, 34, e Licia Ríos, 47, por exemplo, vieram com os filhos de 12 e 6 anos.
“Viemos defender Cristina e a democracia”, diz Ríos. Daneri atribui a dirigentes de direita a promoção da retórica de violência política que, na sua opinião, está por trás do atentado.
Trazer as crianças, dizem as mães, é uma forma de introduzi-las na cultura nacional e permitir que criem memórias de participação política. Sentadas no gramado em frente à Casa Rosada, a sede do governo argentino, elas descansavam ao som de batuque aguardando o início dos demais atos.
O pesquisador de ciências sociais e professor universitário Sérgio, 48, —que prefere não dizer o sobrenome— foi outro que esteve acompanhado do filho, Timotio, 8. Em um país com tradição de marchas nas ruas, esta é a primeira vez que o menino participa de uma.
Sérgio afirma que era inimaginável um atentado contra Cristina. “A Argentina sempre pode te surpreender. Mas a verdade é que isso era impensável. Nos encheu de medo. Mas o medo se combate marchando.”
Para ele, o ato dá fôlego à mobilização nas ruas, em parte desacelerada durante a pandemia de Covid. A região também estava repleta de ambulantes, que vendem comidas e bebidas e também aproveitam para comercializar itens com símbolos do país.
Folhapress





