Morreu nesta terça-feira (10/5), aos 84 anos, o jornalista Alberico de Sousa Cruz, ex-diretor de jornalismo da Globo. Mineiro de Abaeté, ele recebeu diagnóstico de leucemia há dois anos e meio. Há uma semana, com a piora da doença, foi internado na Clínica São Vicente, na Zona Sul do Rio, onde morreu.
Sousa Cruz assumiu o jornalismo da Globo logo após a eleição de Fernando Collor de Mello para a presidência da República, em 1990. Sucedeu Armando Nogueira, que atribuía a Cruz, então seu braço direito, a responsabilidade sobre a polêmica edição do último debate entre Collor e Lula no Jornal Nacional da véspera do pleito.
A edição reforçava a boa performance do então candidato do PRN sobre os piores momentos do candidato do PT. Nas palavras de Nogueira, o debate poderia ser comparado a um jogo de futebol em que um time venceu o outro por 3 x 1, mas a edição traduzia um placar de 6 x 0, a favor do vencedor, no caso, Collor.
Esse episódio foi alvo de vários debates internos no jornalismo da Globo e em faculdades e simpósios de jornalismo a respeito dos critérios que devem reger um trabalho como aquele. A própria emissora revisitou o assunto em um livro comemorativo de aniversário do JN, onde Nogueira, Cruz e outros profissionais da época falam sobre o caso.
Cruz ficou no comando do departamento até 1995, quando o cargo foi assumido por Evandro Carlos de Andrade (1931-2001), egresso do Jornal O Globo.
Alberico de Sousa Cruz começou a trabalhar no ramo ainda em Abaeté, nos anos 1950, no Jornal da Cidade, Binômio e na versão mineira do Última Hora. No Rio, atuou no Jornal do Brasil, revista Manchete, na Veja, na sucursal de Brasília do Última Hora e em O Jornal, do grupo Diários Associados.
Chegou à Globo em 1980, convidado por Armando Nogueira, inicialmente como editor regional da emissora em Belo Horizonte. Dois anos depois, em 82, tornou-se diretor de telejornais comunitários da Globo no Rio. Em 1987, assumiu a direção dos telejornais de rede.
Folhapress





