17/09/2026

Missa em latim renasce nos EUA mesmo ante desaprovação do papa Francisco.

Os oito filhos de Eric Agustin costumavam chamar o primeiro dia da semana de “domingo de festa”. A família acordava, assistia a uma breve missa matinal numa paróquia perto de casa, depois voltava para almoçar e passar uma tarde descontraída assistindo ao futebol.

Mas neste ano eles fizeram uma grande mudança. No santuário de São José, nova paróquia que frequentam, a liturgia é ornamentada, coreografada com precisão e conduzida inteiramente em latim. A família dirige uma hora para assistir a um culto que começa às 11h e pode durar quase duas horas.

A missa tradicional em latim, antiga forma de culto que o papa Francisco tentou desencorajar, está renascendo nos Estados Unidos: atrai uma mistura de tradicionalistas da estética, famílias jovens, novos convertidos e críticos do papa. E seu ressurgimento, impulsionado pela pandemia, faz parte de uma crescente tendência de direita no cristianismo americano.

A missa em latim provocou uma ampla discussão na Igreja Católica dos EUA não apenas sobre canções e orações, mas também sobre o futuro do catolicismo e seu papel na cultura e na política. Os adeptos tendem a ser socialmente conservadores e de mentalidade tradicional. Alguns, como a família Agustin, são atraídos pela beleza, o simbolismo e o que descrevem como uma forma de adoração reverente.

Outros foram atraídos por uma nova retórica da comunidade de direita que encontraram em grupos online. Eles veem a tentativa do papa de cercear a missa em latim como exemplo dos perigos de um mundo que se desvincula dos valores religiosos ocidentais.

A missa tradicional, a “forma extraordinária”, foi celebrada por séculos até as transformações do Concílio Vaticano 2º, na década de 1960, que pretendiam em parte tornar o rito mais acessível. Depois dele, a missa podia ser celebrada em qualquer idioma, a música contemporânea entrou em muitas paróquias e padres se voltaram para as pessoas nos bancos.

Mas o culto em latim nunca desapareceu totalmente. Embora represente uma fração dos que são realizados nas 17 mil paróquias dos EUA, está prosperando. O país agora parece ter ao menos 600 locais que oferecem a missa tradicional, o maior número de qualquer nação.

O crescimento se dá enquanto Francisco reprime o modelo, estabelecendo novos limites rígidos ao rito. Seu antecessor, Bento 16, ampliou o acesso à antiga missa, mas Francisco a caracterizou como uma fonte de divisão na igreja e disse que muitas vezes está associada a uma rejeição mais ampla dos objetivos do Concílio Vaticano 2º.

A divisão sobre a antiga missa representa um choque de prioridades e lutas de poder na liderança da igreja. Nas paróquias é mais complicado. Muitos católicos dizem que são atraídos à missa por motivos espirituais, apoiados por preferências estéticas e litúrgicas, não por partidarismo. “Há uma reverência em um nível mais avançado”, diz Agustin.
NYT

O Diário Caiçara é produzido por uma equipe capacitada que apura, publica e reproduz diariamente, dezenas de notícias sobre o Litoral Norte Paulista e outros conteúdos de relevância. Seguimos um rígido padrão editorial, com verificação cuidadosa de informações e compromisso permanente com a verdade. Nosso trabalho é pautado pela transparência, responsabilidade e pelo jornalismo sério que garante a credibilidade de tudo o que entregamos ao leitor. Diário Caiçara: em defesa do jornalismo profissional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima