Sob protestos da ministra Marina Silva (Meio Ambiente), a Marinha planeja afundar o casco do porta-aviões São Paulo no mar brasileiro.
O chamado afundamento controlado vai ser feito por uma série de explosões para abrir rasgos no casco, o que levaria ao oceano também as mais de nove toneladas de amianto presentes na embarcação.
A decisão ainda não foi formalizada, segundo relatos feitos à Folha. Mas integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam ser a alternativa viável diante do avançado grau de degradação da embarcação de 266 metros de comprimento.
No dia 13 de janeiro, quando foi submetido a uma inspeção técnica, o porta-aviões navegava, sob reboque, a 20 milhas náuticas do Porto de Suape, em Pernambuco.
A inspeção constatou um novo rasgo na embarcação, aumento do nível de alagamento e corrosão em comparação à vistoria realizada quatro meses antes.
“Pode ser constatado o aumento crítico da degradação da segurança do casco, quer seja pela perda das condições de flutuabilidade, quer seja pela perda irreversível da estabilidade mínima em avaria para navegação em mar aberto, além do aumento da extensão da avaria do casco”, alerta.
Militares envolvidos no caso afirmam que não há muitas opções para o descarte do porta-aviões, abandonado pela empresa responsável, e o naufrágio é a única alternativa para dar fim a uma controvérsia de proporções internacionais que se estende desde agosto.
A proposta de afundamento fez as discussões sobre o porta-aviões chegarem ao primeiro escalão do governo. A seus pares, Marina Silva tem manifestado preocupação com os danos ambientais.
O principal problema, segundo auxiliares da ministra, está na presença do amianto, produto tóxico que causa câncer e outras doenças graves. O inventário feito antes da partida do navio, em 2022, contabilizou o material a bordo.
Marina chegou a procurar o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para expor essa preocupação.
Mas a decisão cabe, exclusivamente, à Marinha. E o governo não estaria disposto a abrir um novo foco de tensão com as Forças Armadas em meio às investigações dos responsáveis pelas invasões das sedes dos Três Poderes, ocorridas no dia 8 de janeiro.
Folhapress





