Esta é outra imagem espetacular do novo supertelescópio espacial James Webb.
A imagem mostra NGC 346, uma região a cerca de 200 mil anos-luz da Terra, onde muitas estrelas estão sendo criadas.
A câmera em Infravermelho próximo do Webb captura os nós, arcos e filamentos de gás e poeira que estão alimentando este berçário estelar.
A NGC 346 está inserida em uma galáxia satélite da nossa própria galáxia, a Via Láctea, chamada Pequena Nuvem de Magalhães — e é usada como um laboratório para o estudo dos processos de formação das estrelas.
O conglomerado contém concentrações relativamente baixas de elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio.
Desta forma, as condições reproduzem, até certo ponto, aquelas que existiam muito antes na história do Universo, quando o nascimento das estrelas estava no auge — um período conhecido como “Aurora Cósmica”, cerca de três bilhões de anos após o Big Bang.
Os telescópios espaciais anteriores eram capazes de detectar os objetos maiores presentes nesta cena, mas o Webb, com sua sensibilidade e resolução superiores, permite aos astrônomos identificar as fontes menores.
“Pela primeira vez, podemos ver a sequência completa da formação de estrelas em outra galáxia”, diz Olivia Jones, do (UK ATC) Centro de Tecnologia de Astronomia do Reino Unido, em Edimburgo, na Escócia.
“Antes, com o Spitzer, que era um dos grandes observatórios da agência espacial americana Nasa, podíamos detectar as protoestrelas mais massivas, com cerca de cinco a oito vezes a massa do nosso Sol.”
“Mas com o Webb, nós temos os limites de sensibilidade para chegar a até 1/10 da massa do Sol. Então, temos a sensibilidade para detectar estrelas de massa muito pequena no processo de formação, mas com resolução para ver também como elas afetam o ambiente. E como você pode ver a partir da imagem, é um ambiente muito dinâmico.”
Tem gás sendo energizado nesta imagem a temperaturas de 10.000 °C . Por outro lado, o Webb também detecta gás frio a -200 °C.
Os astrônomos se referem a “metais” quando discutem todos os elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio. É o material necessário para fazer planetas.
Uma das grandes questões, portanto, girou em torno de se os ambientes de baixa metalicidade, como a NGC 346, têm material poeirento suficiente para fazer o processo de acreção (acumulação de matéria na superfície de um astro através da ação da gravidade) e construir mundos rochosos.
As observações do Webb sobre o conglomerado indicam que ele certamente têm esse potencial. Até mesmo as menores protoestrelas detectadas na imagem possuem discos de poeira ao seu redor.
BBC Brasil





