Mais de 24 horas após Gustavo Petro se tornar o primeiro presidente de esquerda na história da Colômbia, no domingo (19), o Itamaraty emitiu nota em nome do governo brasileiro o parabenizando pela eleição.
“Ao desejar ao presidente eleito êxito no desempenho de suas funções, o governo brasileiro reafirma seu compromisso com a continuidade e o aprofundamento das relações com a Colômbia, com vistas ao bem-estar, prosperidade, democracia e liberdade de nossos povos”, afirmou o ministério nesta terça-feira (21).
O presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não se pronunciou oficialmente sobre o novo líder colombiano. Na segunda-feira (20), no entanto, em uma lista de transmissão de mensagens que ele mantém no WhatsApp, questionou se o Brasil seria o próximo país a eleger um líder de esquerda.
Bolsonaro encaminhou no grupo uma imagem de uma reportagem da BBC News Brasil que tem o título “Ex-guerrilheiro vence eleição na Colômbia e será primeiro presidente de esquerda do país”. Na sequência, escreveu: “Cuba… Venezuela… Argentina… Chile… Colômbia… Brasil???”, numa referência ao fato de a esquerda, com Lula, ter chance de voltar ao poder no país.
Segundo ministros e interlocutores de Bolsonaro, o presidente também chamou a atenção para a alta abstenção da eleição colombiana. O voto não é obrigatório no país, e cerca de 45% dos cidadãos aptos a votar não compareceram às urnas. Ainda que alta, a cifra configura a menor abstenção em duas décadas.
Bolsonaro estaria preocupado com uma alta abstenção no Brasil, mesmo com o voto obrigatório.
A vitória de Petro amplia o isolamento de Bolsonaro no continente. Se considerados apenas os vizinhos mais próximos, oito dos 12 países da América do Sul passaram a ser governados por líderes de esquerda, cenário bem diferente daquele que o presidente brasileiro encontrou ao assumir o Planalto, em 2019.
Além disso, a eleição do ex-guerrilheiro teve outro simbolismo: foi reconhecida por seu adversário no segundo turno da eleição, Rodolfo Hernández, menos de uma hora depois da divulgação dos resultados.
Folhapress





