17/09/2026

Irã determina investigação de massacre que teria deixado 82 mortes em meio a protestos.

O presidente do Irã, Ebrahim Raissi, ordenou nesta quinta-feira (6/10) a abertura de investigações sobre um confronto entre policiais e manifestantes que teria deixado dezenas de mortos na cidade de Zahedan, no sudeste do país. O massacre ocorreu na última sexta (30), na esteira dos protestos que já duram três semanas em várias cidades da nação muçulmana.

Segundo Teerã, foram 20 mortos, incluindo seis policiais, além do chefe regional da inteligência da Guarda Revolucionária, força responsável por conduzir operações militares secretas no exterior.

A Anistia Internacional, porém, disse nesta quinta que 82 pessoas morreram, sendo 16 vítimas de confrontos em outras áreas de Zahedan –centenas ficaram feridas. A organização frisa que algumas pessoas morreram dias após o massacre devido aos baixos estoques de sangue, curativos e outros suprimentos médicos. Outras ainda estão gravemente internadas.

A Anistia diz que as forças de segurança dispararam “munição real e gás lacrimogêneo” contra manifestantes reunidos em frente a uma delegacia. “As provas colhidas mostram que a maioria das vítimas foi atingida por balas na cabeça, coração, pescoço e tronco, revelando uma clara intenção de matar ou ferir gravemente”, diz a ONG, que acusa os agentes de segurança de terem atirado do telhado da delegacia.

O massacre teria sido tão grande que a agência de notícias francesa AFP, seguindo a retórica de organizações de direitos humanos, apelidou o episódio de “Sexta-Feira Sangrenta” –rememorando a forma que historiadores nomeam uma série de massacres contra manifestantes em vários períodos da história mundial, como os “Domingo Sangrento”, no Império Russo e na Irlanda do Norte, e a própria “Sexta Sangrenta”, no Brasil. .

A mídia próxima ao regime iraniano, por outro lado, descreveu os confrontos como um “incidente terrorista” e Teerã acusou o grupo rebelde sunita Jaish al-Adl de estar por trás das mortes.
Folhapress

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