O índice de inflação da cesta básica no Brasil teve queda de 0,71% em maio, aponta estudo do curso de economia da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).
Foi a primeira baixa do indicador desde dezembro do ano passado. A trégua veio após a inflação da cesta básica disparar 5,27% em março e 5,55% em abril.
Os avanços acima de 5% haviam ocorrido em um contexto de custos elevados para produção de alimentos, restrições de oferta em razão do clima adverso e alta de commodities agrícolas devido à Guerra da Ucrânia.
Mesmo com o alívio mensal, a inflação da cesta básica ainda ronda os 27% no acumulado de 12 meses, prejudicando principalmente os mais pobres, que têm menos condições financeiras para enfrentar a carestia.
No acumulado até maio, a alta dos preços foi de 26,75%, segundo o estudo da PUCPR. Nessa base de comparação, o avanço até abril era de 28,90%.
A cesta básica também continua distante do índice geral de inflação no Brasil, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Até maio, o IPCA subiu 11,73% em 12 meses.
“A desaceleração dos preços é uma boa notícia, mas a cesta básica permanece acima de 25% em 12 meses, com alta de quase 27%. É mais do que o dobro do IPCA. Os preços seguem pressionados”, afirma o economista Jackson Bittencourt, coordenador do curso de economia da PUCPR.
O estudo da universidade tem como base os dados de inflação de 13 alimentos dentro do IPCA, que é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No acumulado dos últimos 12 meses, os maiores aumentos na cesta básica foram verificados no café moído (67,01%), no tomate (55,62%), na batata-inglesa (54,30%), no açúcar cristal (31,46%) e no óleo de soja (31,25%).
Leite longa vida (29,28%), margarina (23,96%), banana prata (23,60%) e feijão-carioca (19,03%) também dispararam. A única queda de preços dentro da cesta foi registrada pelo arroz (-10,27%).
Com a inflação persistente e as dificuldades no mercado de trabalho, o Brasil passou a acumular cenas de pessoas em busca de doações de comida e até de restos de alimentos durante a pandemia.
Folhapress





