17/09/2026

Impopularidade da guerra dentro da Rússia coloca Putin em apuros.

Após uma surpreendente contraofensiva na qual as forças ucranianas retomaram mais de 2.500 km² de território, a Rússia está inquieta. Os talk-shows políticos no país, normalmente tão aduladores, abriram as portas para vozes mais críticas. Oponentes à guerra se apresentaram: cerca de 40 autoridades de legislaturas municipais assinaram uma petição solicitando a renúncia do presidente. E figuras anteriormente leais começaram a se queixar a respeito de fracassos do governo. Em um sinal do descontentamento generalizado, Alla Pugacheva, a estrela pop mais famosa da Rússia no século 20 criticou abertamente a guerra. Seis meses de consenso começam a ruir.

Após uma surpreendente contraofensiva na qual as forças ucranianas retomaram mais de 2.500 km² de território, a Rússia está inquieta. Os talk-shows políticos no país, normalmente tão aduladores, abriram as portas para vozes mais críticas. Oponentes à guerra se apresentaram: cerca de 40 autoridades de legislaturas municipais assinaram uma petição solicitando a renúncia do presidente. E figuras anteriormente leais começaram a se queixar a respeito de fracassos do governo. Em um sinal do descontentamento generalizado, Alla Pugacheva, a estrela pop mais famosa da Rússia no século 20 criticou abertamente a guerra. Seis meses de consenso começam a ruir.

Vamos chamá-los de partido da guerra. Composto por agências de segurança, pelo Ministério da Defesa e por figuras políticas e da mídia que expressam posições publicamente, ele abrange todo o ambiente nacionalista radical — e seus membros têm construído uma crítica continuada a respeito da maneira que o Kremlin lida com a guerra na Ucrânia.

Poderosos, bem posicionados e comprometidos ideologicamente, eles querem um esforço de guerra muito maior. E a julgar pelo discurso de Putin na quarta-feira — no qual ele anunciou a convocação de aproximadamente 300 mil soldados, expressou apoio a referendos nas quatro regiões ocupadas na Ucrânia para deliberar a respeito de sua integração à Rússia e repetiu a ameaça de escalada nuclear — parece que eles terão o que querem.

O partido da guerra tem sido bastante ruidoso desde abril, quando ficou claro que o Exército russo era incapaz de conquistar Kiev e derrubar o governo de Volodmir Zelenski. O objetivo mais modesto de Moscou — conquistar o Donbas e obter acesso terrestre até a Crimeia anexada — pareceu uma retração intolerável.

Durante todo esse tempo, os russos aguerridos se beneficiaram de uma plataforma inesperadamente ressonante: os inúmeros canais de Telegram, alguns dos quais com até 1 milhão de seguidores, mantidos por jornalistas ligados ao Exército russo. Em uma torrente constante de comentários, esses canais criticam a indecisão do governo, conclamam a uma conquista em escala total da Ucrânia e a uma mobilização em massa da população russa.
The New York Times

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