A Guerra da Ucrânia e as tensões entre EUA e China na Ásia colocaram o mundo em uma rota de aumento dos gastos militares, com pelo menos 20 países anunciando incrementos em seus orçamentos de defesa em 2022.
Com efeito, ao longo do ano passado, Rússia, Eurásia e Ásia tiveram aumentos reais, acima da inflação, no dispêndio bélico. É um dos paradoxos da guerra: o aumento da inflação global devido à majoração dos preços de energia e comida levou a uma ligeira queda de 2,1% em relação a 2021 no gasto militar aferido pelo IISS (sigla inglesa para Instituto Internacional de Estudos Estratégicos).
A organização, baseada em Londres, divulgou nesta quarta (15/2) seu “Balanço Militar”, a principal bíblia de inventários militares e gastos do setor no mundo. Em termos nominais, descontando a inflação, o ano passado já registrou aumento de despesas bélicas: US$ 1,97 trilhão (R$ 10,2 trilhões pelo câmbio de hoje), ante US$ 1,84 trilhão (R$ 9,6 trilhões).
Em outras palavras, o mundo gasta aproximadamente o PIB (Produto Interno do Brasil) para se armar. Como seria previsível, os EUA mantiveram a ponta isolada no ranking, que de resto teve alterações importantes decorrentes da nova realidade geopolítica.
Washington gastou US$ 767 bilhões em 2021 —e o governo Joe Biden prevê ainda mais neste ano. A principal rival dos EUA, a China, gastou US$ 242 bilhões, mas o IISS aponta que o valor escamoteia o custo mais barato de produção do país, o que deve levar a cifra para cerca de US$ 360 bilhões.
Entre as protagonistas da Guerra Fria 2.0, contudo, há diferenças importantes. Em termos reais, os EUA lideram entre os que reduziram gastos, com 58% dos US$ 66 bilhões a menos aplicados. Já os chineses têm a maior fatia do aumento de US$ 30 bilhões entre quem abriu o bolso, 15,6%. Em porcentagem do PIB, houve queda de 3,3% para 3,06% dos americanos e estabilidade, de 1,2%, na China.
O ritmo de guerra ativa da Rússia levou o país a acelerar o gasto, deixando a quinta posição de 2021 para a terceira, pulando de US$ 62,2 bilhões US$ 87,9 bilhões. Novamente, o gasto verdadeiro equivale a cerca de US$ 192 bilhões, na métrica do IISS, e houve um salto na proporção do PIB (2,73% para 4,12%).
Como disse a pesquisadora sênior de economia de defesa do IISS, Fenella McGerty, os números russos são bastante nebulosos, como seria de se esperar numa guerra. O aumento o gasto em proporção do PIB pode ser ainda mais brutal, de até 8% na prática.
Apesar dessas mudanças, a vantagem americana ainda é gritante em termos gerais. O país quase empata com os gastos dos próximos 14 colocados no ranking (US$ 850 bilhões) e soma mais do que o dobro do gasto do resto do mundo (US$ 360 bilhões).
Folhapress





