17/09/2026

Grupo detecta exoplaneta de forma indireta e então o fotografa.

Uma das coisas mais bonitas da astronomia –talvez a mais– ocorre quando a existência de um objeto celeste é prevista a partir de uma detecção indireta e então ele é observado diretamente. Mais uma dessas belas confirmações aconteceu agora, com um exoplaneta orbitando uma estrela a 133 anos-luz da Terra.

Esses mundos extrassolares, como se sabe, raras vezes são fotografados, basicamente porque seu tênue brilho é ofuscado pela estrela-mãe, em geral perto demais dele para que se possa detectá-lo ou mesmo separar um objeto do outro.

Alguns poucos (uns 20 até agora) já foram clicados ao telescópio, em geral porque são muito grandes (com mais massa que Júpiter), jovens (com grande calor oriundo de seu processo de formação, que os torna mais brilhantes em infravermelho) e afastados de sua estrela (mais distantes que Júpiter do Sol).

Procurá-los aleatoriamente por aí não é fácil, o que motivou a equipe de Thayne Currie, do Telescópio Subaru, instalação japonesa localizada no Havaí, e da Universidade do Texas em San Antonio (EUA), a procurar estrelas que apresentassem indicações astrométricas, indiretas, da presença de potenciais planetas gigantes gasosos ao redor.

Astrometria é o esforço para medir com precisão a posição de uma estrela com relação a objetos muito distantes e registrar seu discreto movimento ao longo do tempo. Usando dados dos satélites Hipparcos e Gaia (separados por 25 anos), os pesquisadores constataram que a estrela próxima HIP 99770, na constelação do Cisne, tinha aceleração consistente com a presença de um planeta gigante gasoso em órbita de si.

Então, o grupo foi ao Subaru, com seu respeitável espelho de 8,2 metros, e usou o coronógrafo SCExAO (dispositivo que bloqueia a luz da estrela, para poder registrar seus arredores), acoplado a um conjunto de câmera e espectrógrafo chamado Charis (capaz de colher imagem e a “assinatura de luz” de objetos), para fotografar as imediações da tal estrela. Eis então que apareceu o planeta, orbitando a cerca de 17 unidades astronômicas de seu sol, com massa estimada entre 13,9 e 16,1 vezes a de Júpiter.

Observações separadas por 15 meses revelaram que o movimento é consistente mesmo com um planeta em órbita de HIP 99770, versus uma estrela de fundo. E o conjunto parece lembrar uma versão anabolizada do Sistema Solar. A estrela em si é mais quente e brilhante, com 80% mais massa que o Sol, e por conta disso, embora o planeta esteja mais de três vezes mais distante de sua estrela que Júpiter da nossa, ele recebe mais ou menos a mesma quantidade de radiação. Uma diferença importante é que aqui se formaram quatro planetas gigantes gasosos e lá, ao que parece, um só, mas bem maior que os nossos.

O achado, publicado na última edição da revista Science, valida o esforço de buscar alvos para imageamento direto de planetas via astrometria, o que por sua vez pode nos ajudar a compreender como se formam e evoluem os planetas (em particular os gigantes, únicos no momento ao alcance das nossas tecnologias de detecção direta).
Folhapress

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