O governo de Vladimir Putin completa nesta terça (27/9) os referendos para a anexação de quatro regiões que a Rússia ocupa parcialmente na Ucrânia, invadida em fevereiro por Moscou. A formalização da absorção pode ocorrer ainda nesta semana.
Enquanto isso, o Kremlin lida com uma escalada na crise doméstica decorrente da decisão de Putin de mobilizar até 300 mil reservistas para reverter a maré negativa na Guerra da Ucrânia, onde viu Kiev recuperar terreno em uma contraofensiva surpresa neste mês.
Em um movimento crescente, a revolta inicialmente contida a setores de classe média que podem pagar por uma passagem aérea internacional está se tornando uma crise humanitária. Nesta terça (27), o governo aliado de Moscou no Cazaquistão disse que 98 mil russos já cruzaram a fronteira desde a mobilização, decretada no dia 21.
O país não exige visto de russos, facilitando o trânsito. O mesmo ocorre na Geórgia, que segundo Ministério do Interior passou a receber agora 10 mil russos por dia —eram de 5.000 a 6.000 no início da crise, mas o governo, que é mais pró-Ocidente, não especificou quantos eram antes.
Imagens de satélite da empresa americana Maxar mostram filas de carros no sinuoso passo de montanha que liga a Rússia ao encrave separatista russo da Ossétia do Sul, separado numa guerra com a Geórgia em 2008. Também há filas na fronteira da Mongólia.
O nó da questão são o termos da mobilização, com regras variáveis de lugar para lugar. Assim, reservistas que foram soldados com mais do que os 35 anos estipulados pelo governo como limite estão sendo convocados, assim como pessoas com problemas de saúde.
A anexação poderá ocorrer na sexta (30), já que há a expectativa de um discurso de Putin às duas Casas do Parlamento. Em 2014, a absorção da Crimeia ocorreu meros dois dias após o voto local.
Ainda não há resultados divulgados, mas a imprensa russa fala que os referendos são legais pois mais de 50% de comparecimento teria sido atingido —ao mesmo tempo em que divulgou fotos de idosos internados votando de leitos de hospital.
Folhapress





