Alguém deixou uma bomba nuclear dos Estados Unidos cair e quebrar em uma base na Holanda.
O raro incidente foi sugerido nesta segunda-feira (3/4) em um relatório publicado por um dos maiores especialistas em armas atômicas do mundo, Hans Kristensen.
O dinamarquês é o diretor do Projeto de Informação Nuclear da FAS (Federação dos Cientistas Americanos, na sigla inglesa), referência na área. Ele abordou o episódio com cautela, como o título de seu relatório evidencia: “Houve um acidente com arma nuclear dos EUA numa base na Holanda?”.
Ele conta que um texto de 2022 do Laboratório de Los Alamos, centro americano de pesquisa nuclear, trazia a foto de uma bomba nuclear B61 sendo examinada, ou ao menos uma cópia exata do armamento.
Por meio de geolocalização, checando detalhes do ambiente com outras imagens do local, a foto teria sido feita no cofre nuclear da base aérea holandesa de Volkel, 1 das 6 em que os EUA guardam cerca de cem bombas atômicas na Europa —as outras ficam na Turquia, na Alemanha, na Bélgica e na Itália.
“O pessoal na imagem também conta uma história”, diz Kristensen, apontando para dois militares abaixados inspecionando a bomba que tinham nos ombros a insígnia EOD, a sigla inglesa para Disposição de Munição Explosiva, a seção da Força Aérea que trata de remoção de armamentos não explodidos.
Um outro militar segura papéis com o mesmo padrão aplicado a documentos secretos americanos, e um homem em trajes civis seria de um dos laboratórios que fabricam partes da bomba, Los Alamos e Sandia.
Kristensen afirma que não pode ter certeza absoluta da natureza do fato, tampouco poderia dizer quando ele ocorreu. A imagem é bem clara, contudo, acerca dos danos sofridos: a bomba entortou, teve estragos na sua parte posterior e uma das quatro aletas de estabilização está faltando.
A Força Aérea dos EUA não considera esse tipo de caso um acidente, classificando-o de “incidente de lança entortada”. De todo modo, sem estar armada, e nenhuma bomba o é salvo se for para ser usada, não há risco de ela explodir por cair. Até aqui, não houve comentário oficial do Pentágono sobre a revelação.
Folha





