17/09/2026

Ex-braço direito de 2 papas, cardeal acusado de encobrir abusos morre aos 94.

O cardeal italiano Angelo Sodano, número dois da Igreja Católica nos pontificados de João Paulo 2º e Bento 16 e protagonista de várias controvérsias que abalaram a instituição, morreu na sexta-feira (27/5), aos 94 anos, em Roma, anunciou o Vaticano neste sábado (28/5).

Sodano morreu em um hospital de Roma, onde estava internado desde o dia 9 de maio após apresentar complicações da Covid-19, de acordo com o Vatican News, site da Santa Sé.

Nomeado por João Paulo 2º secretário de Estado em 1990, ele permaneceu no cargo, que equivale ao de ministro das Relações Exteriores, até 2006. Em 2005, tornou-se também decano do Colégio dos Cardeais, que dirigia quando Bento 16 deixou o pontificado, em fevereiro de 2013. Como ele já tinha mais de 80 anos à época, porém, não pôde participar do conclave que escolheu o papa Francisco.

Nascido em 23 de novembro de 1927 na região italiana de Piemonte, Sodano fez parte do corpo diplomático da Santa Sé em países como Equador, Chile e Uruguai.

Em uma série de denúncias no National Catholic Reporter em 2010, o autor Jason Berry, um dos principais especialistas na crise de abusos sexuais da igreja, escreveu como Sodano bloqueou o Vaticano de investigar o padre Marcial Maciel, fundador da ordem religiosa Legionários de Cristo.

Após a morte de João Paulo, o papa Bento 16 intensificou as investigações sobre Maciel e o tirou em 2006, quando o Vaticano reconheceu serem verdadeiras as alegações descartadas por décadas.

A ordem Legionários de Cristo, cujas regras proibiam criticar seu fundador ou questionar seus motivos, mais tarde admitiu que Maciel, que morreu em 2008, viveu uma vida dupla como pedófilo, assediador de mulheres e viciado em drogas. Sodano negou várias vezes as alegações de que estava ciente do histórico e de que havia encoberto Maciel —um doador que passava valores generosos ao Vaticano.

Após a morte de Sodano, o papa Francisco referiu-se a ele como “homem estimado da igreja, que viveu o sacerdócio com generosidade ao serviço da Santa Sé”, em telegrama à família e publicado pelo Vaticano.
Reuters e AFP

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