17/09/2026

EUA e França fazem raro teste de mísseis nucleares no mesmo dia.

A tensão atômica da Guerra Fria 2.0 ganhou um novo capítulo nesta quinta (19/4), com uma raríssima ocorrência: o teste de mísseis nucleares dos Estados Unidos e da França no mesmo dia.

O alvo político primário é a Rússia de Vladimir Putin, que trouxe a carta nuclear de volta à mesa de vez pouco antes da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. De lá para cá, em nome de tentar conter o crescente apoio do Ocidente a Kiev, o Kremlin tem naturalizado a ideia de um conflito atômico.

Se no primeiro semestre de 2022 os EUA se contiveram nos testes regulares das armas do apocalipse, isso mudou em junho, quando lançaram de uma só vez quatro mísseis navais Trident 2 D52E. Mas a natureza do episódio desta quinta-feira amplia o quadro.

Os americanos lançaram sua arma principal em caso de guerra nuclear, o míssil baseado em silos Minuteman 3. Ele foi disparado da base de Vandenberg, na Califórnia, em uma circunstância específica: a ordem foi dada por um avião de comando aéreo E-6 Mercury.

Baseado no antigo Boeing 707, o aparelho da Marinha é desenhado nesses casos para acionar os silos em caso de ataque nuclear contra a base em que as construções fortificadas estão localizadas. Se os mísseis em solo sobreviverem, são lançados do ar, com o avião a centenas de quilômetros de distância.

Os EUA operam 400 Minuteman, a perna terrestre de sua tríade nuclear, completada pelos Trident 2 de submarinos e mísseis e bombas lançadas por bombardeiros e caças táticos. Cada míssil pode atingir alvos a até 14 mil km com até três ogivas independentes, com potência individual variando de 10 a 20 vezes a da bomba inaugural da era atômica, lançada pelos americanos em Hiroshima, no Japão.

Ainda mais inusual foi o teste francês de seu míssil M51, disparado do submarino Le Terrible, anunciado pelo ministro Sébastien Lecornu (Forças Armadas). A embarcação é 1 das 4 de propulsão nuclear, usada para lançar esses mísseis balísticos, com alcance estimado em até 10 mil km e capacidade para carregar até dez ogivas, cada uma com potência cerca de sete vezes maior do que a da detonação em Hiroshima.

Foi apenas o 11º teste da moderna arma, introduzida em 2010.
Folhapress

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