Integrantes da cúpula do Ministério da Defesa alegam que as Forças Armadas não conduziram uma auditoria das urnas eletrônicas, mas sim uma fiscalização do sistema eletrônico de votação. Essa deve ser a linha da resposta que está sendo elaborada pelos militares ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, requisitou o envio, em 48 horas, de informações relacionadas ao trabalho inédito realizado pelos militares nas eleições.
A Defesa foi notificada nesta segunda-feira, dia 17/10, da decisão de Moraes, provocada por representação da Rede Sustentabilidade. O partido apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. “Determino ao Ministério da Defesa que, no prazo de 48 (quarenta e oito horas) preste as devidas informações, mediante a apresentação de cópia dos documentos existentes sobre eventual auditoria das urnas, com a correspondente fonte do recurso empregado”, ordenou Moraes.
Como o ministro determinou o envio de dados e documentos de “auditoria” e não da fiscalização, os militares devem se furtar à entrega de dados concretos. Um general com conhecimento do assunto disse nesta terça-feira, 18, ao Estadão que não existe auditoria a ser apresentada. O ministério não se pronunciou oficialmente a respeito da decisão de Moraes. Fora da agenda prevista, o presidente do TSE recebeu em seu gabinete uma visita do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.
O TSE informou, em mais de uma ocasião, que não recebeu as conclusões dos militares relativas ao primeiro turno. A Corte anunciou que a votação e contagem de votos transcorreram sem nenhuma intercorrência. Segundo Moraes, testes realizados nas urnas confirmaram a lisura das eleições e não apresentaram divergências.
Em nome da transparência, o Tribunal de Contas da União (TCU) cobrou dados e também aguarda o envio por parte da Defesa de “cópia do relatório de auditoria ou de documento correlato que revele o resultado da fiscalização daquele órgão acerca do processo eleitoral relativo ao primeiro turno de votação”.
Desde que o resultado do primeiro turno das eleições foi oficializado, na noite de 2 de outubro, houve um silenciamento político de parte dos militares. Naquela noite, a equipe de fiscalização das Forças Armadas trabalhou a portas fechadas. Bolsonaro acompanhou parte de apuração na sede da pasta. A Defesa cogitava divulgar uma nota pública e previa ser capaz de remeter em poucas horas ao TSE informações técnicas sobre a fiscalização, sem adentrar na seara avalizar ou não a confiabilidade do pleito. No entanto, o trabalho atrasou, segundo militares, por causa de lentidão na disponibilização de dados online pelo tribunal. Dezesseis dias depois, nada foi divulgado.
Estadão





