O Ministério Público sul-coreano solicitou a colaboração da Interpol para capturar Do Kwon, cofundador do império de criptomoedas Luna e TerraUSD, cuja bolha estourou nesta primavera e desmoronou como um castelo de cartas deixando um buraco de quase US$ 40 bilhões. O pedido ocorre depois que um tribunal sul-coreano emitiu um mandado de prisão contra ele e outras cinco pessoas ligadas a moedas digitais por uma possível violação dos regulamentos de capital daquele país.
Kwon, de origem sul-coreana, assegurou através das redes sociais que não está “em fuga”, mas disposto a colaborar com “qualquer agência governamental”, e acrescentou que está em processo de articulação de uma defesa “em múltiplas jurisdições”. “Mantivemos um nível extremamente alto de integridade e esperamos esclarecer a verdade nos próximos meses”, escreveu ele.
A procuradoria, segundo o Financial Times, assegura, por outro lado, que o engenheiro informático de 31 anos formado em Stanford, nos Estados Unidos, desativou a unidade da Terraform Labs (a empresa-mãe das criptomoedas) sediada na Coreia do Sul e fugiu para Cingapura no final de abril, coincidindo com o momento em que o desastre financeiro estava decolando.
As quebras das criptomoedas Luna e TerraUSD (pareada ao valor de US$ 1) em maio deste ano fizeram desaparecer as economias de milhares de investidores. Depois de atingir um preço de quase US$ 100, o valor da Luna teve uma queda de 99% no prazo de 72 horas.
Alguns analistas chegaram a comparar a magnitude desse terremoto no universo cripto com o que a falência do Lehman Brothers em 2008 significou para o sistema financeiro global. A União Europeia concordou em junho com um marco regulatório para limitar as transferências anônimas e tentar estabelecer padrões globais para a supervisão dessas moedas.
O Globo





