Olga Lopatkina dava voltas pelo porão como um animal enjaulado. Havia mais de uma semana que ela não tinha notícias de seus seis filhos adotivos retidos em Mariupol, e não sabia o que fazer.
A família acabaria sendo envolvida em uma das questões mais explosivas da guerra: o franco esforço da Rússia para capturar órfãos ucranianos e criá-los como russos.
Uma investigação da Associated Press mostra que a estratégia russa está bem adiantada. Milhares de crianças foram recolhidas de porões em cidades bombardeadas, como Mariupol, e de orfanatos nos territórios separatistas de Donbas, que recebem apoio da Rússia. Entre elas estão crianças cujos pais foram mortos por bombardeios russos, e outras em instituições ou lares de acolhimento.
A Rússia alega que muitas dessas crianças não têm pais ou responsáveis, ou que estes não foram encontrados. Mas a AP descobriu que as autoridades deportaram crianças ucranianas para a Rússia ou para territórios sob controle russo sem consentimento, mentiram dizendo que seus pais não as queriam mais, e deram a elas famílias e cidadania russas.
Esta é a investigação mais extensa até hoje sobre a captura de órfãos ucranianos, e a primeira a acompanhar o processo inteiro até aqueles que já estão crescendo na Rússia. Ela se baseou em dezenas de entrevistas com pais, crianças e autoridades na Ucrânia e na Rússia; e-mails e cartas; documentos e mídia estatal russos.
AP





