17/09/2026

Com 1 milhão nas ruas, greve contra reforma da Previdência põe Macron sob pressão.

Enquanto o presidente Emmanuel Macron cumpria uma agenda em Barcelona, assinando um tratado de cooperação e amizade com o premiê espanhol, Pedro Sánchez, milhares de manifestantes tomavam as ruas de mais de 200 cidades da França nesta quinta (19/1), em uma greve geral convocada contra sua proposta de reforma da Previdência.

Anunciada no último dia 10 pela primeira-ministra Elisabeth Borne, a reestruturação quer aumentar a idade mínima para a aposentadoria, de 62 para 64 anos, até 2030 e prolongar os anos de contribuição, de 42 para 43 anos, já em 2027 para ter acesso à pensão integral.

Articulada pelas oito maiores centrais sindicais do país, unidas pela primeira vez em 12 anos, a greve geral obteve grandes mobilizações mesmo fora da capital. Somando Paris a cidades como Lyon, Toulouse, Marselha, Rennes e Bordeaux, saíram às ruas um total de 1,1 milhão de pessoas, segundo o Ministério do Interior.

Para a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), no entanto, a adesão foi de cerca de 2 milhões de pessoas —o que faria o movimento superar a paralisação de dezembro de 2019, quando Macron, em seu primeiro mandato, apresentou pela primeira vez um projeto de reforma.

Em Paris, onde a CGT estimou 400 mil manifestantes, a passeata foi encerrada em meio a confrontos com a polícia, que lançou bombas de gás lacrimogêneo e deteve cerca de 30 pessoas.

Um novo dia de mobilização foi marcado pelo grupo intersindical para 31 de janeiro, prolongando a pressão sobre o presidente, reeleito em 2022 e já desgastado pela alta da inflação e pela perda da maioria no Parlamento. Apostando em uma estratégia de ampliar a tensão e o desgaste político de Macron, o partido de ultraesquerda França Insubmissa convocou um ato já para este sábado (21), em Paris.

“É bom e legítimo que todas as opiniões possam se expressar”, declarou Macron na Espanha. “Tenho confiança nos organizadores das manifestações para que essa expressão legítima de desacordo possa se fazer sem criar muitos inconvenientes para o conjunto de nossos compatriotas, sem exageros, sem violência e sem degradação.”
Folhapress

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