17/09/2026

China enfrenta navio de guerra americano no Pacífico.

Em mais um episódio de atrito entre as potências antagonistas da Guerra Fria 2.0, a China afirmou nesta quinta (23/3) ter afastado um destróier americano de águas que considera territoriais.

O incidente ocorreu perto das ilhas Paracel, no mar do Sul da China, um dos pontos de maior tensão entre a ditadura comunista e seus vizinhos, no Pacífico Ocidental. Pequim considera cerca de 85% da região sua e militarizou diversas ilhotas, recifes e atóis a partir de 2014 para asseverar tal controle.

Segundo o Comando do Teatro Meridional das Forças Armadas chinesas, o navio de guerra USS Milius invadiu suas águas em torno das ilhas e foi afastado, embora não tenham sido dados detalhes de como isso teria ocorrido.

A 7ª Frota da Marinha dos EUA, responsável pelo navio, disse que não houve nem intrusão, nem expulsão. Sobre o primeiro ponto, repetiu em comunicado o argumento usual dos americanos na região. “Os EUA vão continuar a voar, navegar e operar em qualquer lugar permitido pela lei internacional”, disse a nota.

O USS Milius é 1 dos 70 destróieres da classe Arleigh Burke, o cavalo de força da Marinha americana, capaz de disparar mísseis de cruzeiro e de defesa antiaérea. A China opera 42 navios semelhantes, com graus diferentes de sofisticação.

O episódio ocorre um dia depois de o líder chinês, Xi Jinping, ter encerrado uma visita de três dias a Vladimir Putin, o presidente russo que invadiu a Ucrânia em 2022. O alinhamento entre Moscou e Pequim no contexto da Guerra Fria 2.0 entre chineses e americanos foi selado 20 dias antes da guerra, em fevereiro do ano passado, e reafirmado agora.

Os EUA e a Ucrânia consideram, assim, a China parcial em sua tentativa de mediar o conflito. Nesta quinta, contudo, o premiê espanhol Pedro Sanchéz aceitou um convite de Xi para visitá-lo na semana que vem, após a viagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Pequim. A chancelaria disse que eles discutirão a proposta de paz chinesa —o país europeu é integrante da Otan, o clube militar liderado por Washington.

A visita de Xi ocorreu logo depois de o Tribunal Penal Internacional emitir uma ordem de prisão contra Putin por crimes de guerra. Nem Rússia, nem China, EUA ou Ucrânia reconhecem a corte, mas o mal-estar prossegue.
Folhapress

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