18/09/2026

Chile rejeita nova Constituição por ampla margem, em derrota do governo.

O Chile rejeitou a proposta de nova Constituição que foi a votação neste domingo (4/9) com uma ampla margem. Com 48,01% das urnas apuradas até as 20h40 de Brasília (19h40 locais), a rejeição à Carta vencia por 62,55% a 37,45%, uma margem já considerada irreversível por especialistas. O presidente Gabriel Boric convocou uma reunião com todos os partidos nesta segunda-feira (5), às 16h (17h em Brasília).

Assim que os resultados começaram a mostrar a derrota do Aprovo, ouvia-se buzinaços e gritos de “Viva, Chile” nos arredores da Praça Dignidad, epicentro dos protestos e festejos no Chile. Carros passavam agitando bandeiras. No comitê de campanha do Rejeito, havia muitos jovens festejando no começo da noite.

As comemorações do resultado se ouviam em vários pontos da capital, principalmente no norte da cidade, onde estão os bairros mais endinheirados. Nas esquinas dos bairros de Vitacura e Las Condes, havia gente festejando com bandeiras do Chile e fogos de artifício

A jornada foi marcada por grandes filas —uma vez que, neste referendo, o voto era obrigatório— e pelo calor intenso. Não houve episódios de violência nem irregularidades, segundo as autoridades eleitorais.

A rejeição é uma dura derrota do governo do esquerdista Boric, pouco antes de completar seis meses de mandato. Apesar de não ter apoiado abertamente a aprovação, a gestão se debilita pelo fato de a nova Constituição ter sido um dos motores de sua coalizão política e parte essencial de sua campanha à Presidência.

Boric surgiu no cenário chileno no contexto dos protestos estudantis de 2011, que pediam reformas no sistema educacional. Em 2019, novas manifestações ampliaram essas reivindicações para incluir o acesso a pensões, saúde e moradia de qualidade. O atual presidente foi um dos articuladores do acordo que acalmou as ruas e pressionou o então governo do presidente direitista Sebastián Piñera a dar início ao processo constitucional.

Em outubro de 2020, 80% dos chilenos decidiram num plebiscito aposentar a Constituição de 1981, promulgada na ditadura militar. Dois anos depois, porém, não houve consenso para aprovar a nova Carta, redigida por uma Assembleia Constituinte composta em sua maioria por legisladores independentes de esquerda. Houve paridade de gênero e representação dos povos originários.

Agora, o caminho a ser seguido é mais espinhoso. Boric e os principais partidos do país haviam acordado, embora não formalmente, que o processo constitucional teria sequência mesmo com o cenário da rejeição, com o início da redação de uma nova Carta.
Folhapress

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