O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que o presidente russo Vladimir Putin teria dito a ele que levaria “apenas um minuto” para um ataque a Londres com um míssil durante uma ligação por telefone entre os líderes pouco antes do início da guerra da Ucrânia, em 24 de fevereiro.
Segundo Johnson, a frase foi dita em tom ameno, aparentando brincadeira, enquanto o britânico alertava sobre o risco de uma “catástrofe total” na Europa no caso de uma invasão ao território ucraniano.
“Ele me ameaçou em certa altura e disse: ‘Boris, não quero machucá-lo, mas, com um míssil, levaria apenas um minuto’ ou algo assim”, disse o ex-premiê.
“Mas acho que, pelo tom muito relaxado que ele estava adotando, o tipo de ar de distanciamento que parecia ter, estava apenas brincando com minhas tentativas de convencê-lo a negociar”, completou.
As declarações fazem parte do documentário “Putin vs. o Ocidente”, produzido pela rede britânica BBC e dividido em 3 partes. A 1ª vai ao ar nesta 2ª feira (30/1) às 21h de Londres (18h de Brasília) pelo canal BBC Two, não disponível no Brasil.
Também será exibido na plataforma de streaming iPlayer.
Questionado sobre a declaração pela BBC, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a declaração era “ou uma mentira deliberada” ou uma incompreensão do real teor do que Putin teria dito ao líder britânico.
“Não houve ameaças de usar mísseis”, afirmou. Johson ocupou a 10 Downing Street, residência oficial dos premiês britânicos, de julho de 2019 a setembro de 2022.
Conduziu e finalizou o processo de saída do país da União Europeia, mas renunciou depois de perder a confiança do Partido Conservador por acobertar um escândalo de abuso sexual de um dos integrantes do governo.
Nas vésperas da deflagração do conflito na Ucrânia, o ex-primeiro-ministro foi um dos mais ativos líderes do Ocidente a se contrapor à guerra e tentar dissuadir Moscou da empreitada.
Em 2 de fevereiro, 3 semanas antes do início da invasão, Johnson e Putin conversaram por telefone e discutiram sobre o acúmulo de tropas russas na fronteira ucraniana.
Poder 360





