17/09/2026

Bolsonaro discursa na ONU com ataque a Lula e fala em tom de campanha.

A menos de duas semanas das eleições, o presidente Jair Bolsonaro (PL) usou o espaço nobre do primeiro discurso presidencial da Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (20/9) para se dirigir a eleitores, com foco muito maior no público doméstico do que nos líderes mundiais que acompanhavam a fala.

Com cara de discurso de campanha, o presidente atacou a esquerda e seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda que sem citá-lo nominalmente, e mencionou casos de corrupção na Petrobras durante os governos petistas. Bolsonaro firmou que sua gestão “extirpou a corrupção sistêmica que existia no país”, a despeito de investigações que envolvem sua família.

Bolsonaro adotou um tom mais moderado do que discursos que fez em edições anteriores do evento e acatou as sugestões do Itamaraty, de evitar ataques diretos a outros países, como vinha fazendo com Chile e Argentina. O presidente afirmou, no entanto, que “repudia a perseguição religiosa” ao dizer que “o Brasil abre suas portas para acolher os padres e freiras católicos que têm sofrido cruel perseguição do regime ditatorial da Nicarágua”, do esquerdista Daniel Ortega. Além disso, citou o acolhimento a refugiados venezuelanos, que fogem do regime de Nicolás Maduro.

Ainda de olho na eleição, o presidente usou parte de seu discurso para se dirigir ao público feminino, grupo com o qual tem mais rejeição e é seu maior calo no pleito de 2 de outubro. Bolsonaro destacou “a prioridade que temos atribuído à proteção das mulheres” e citou números de queda de feminicídios.

“Trabalhamos no Brasil para que tenhamos mulheres fortes e independentes, para que possam chegar aonde elas quiserem. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, trouxe novo significado ao trabalho de voluntariado desde 2019, com especial atenção aos portadores de deficiências e doenças raras”, disse.

Michelle acompanhou o discurso de dentro do salão da Assembleia-Geral, assim como o ministro Fábio Faria (Comunicações) e o filho Eduardo Bolsonaro. Também estava no plenário o embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho.
Folhapress

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