17/09/2026

Biden arrisca capital político em aposta agressiva na Guerra da Ucrânia.

Ao longo de semanas entre o fim de 2021 e o começo de 2022, enquanto a maior parte do mundo duvidava, Joe Biden alertou que a Rússia preparava uma invasão da Ucrânia. Depois que a ameaça se concretizou, há um ano, o presidente dos EUA empenhou assistência militar e financeira recorde para Kiev.

Mais recentemente, tomou um trem de 10 horas para uma zona de guerra da qual os americanos não têm o domínio para manifestar apoio e tirar uma foto com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.

Ainda que com certa precaução para evitar o que pode ser visto como interferência direta na guerra, Biden entrou de cabeça no conflito como o principal aliado de Kiev para conter o avanço de Moscou.

Tudo isso ao mesmo tempo em que se movimentam as peças do xadrez para a Casa Branca em 2024 e cresce a oposição ao esforço empenhado pelo democrata em uma guerra do outro lado do mundo.

Biden não esconde o encantamento com Zelenski, repete que está com a Ucrânia “enquanto for preciso” e voltou de Kiev dizendo que seu coração ficou na cidade. Enquanto isso, a campanha de Donald Trump o acusa de se importar mais com a guerra do que com o povo americano e explora a inflação, o medo da recessão e as falhas na resposta ao acidente de trem em Ohio que carregava carga tóxica.

Há a expectativa de que Biden anuncie nas próximas semanas que vai concorrer à reeleição no ano que vem, e pesquisas apontam que vem caindo o apoio dos americanos à assistência à Ucrânia.

Em janeiro, 37% concordavam com o envio de fundos à Europa, segundo pesquisa da Associated Press, contra 44% em maio passado. Empate na margem de erro com os 38% que discordam. A queda na aprovação do fornecimento de armas é maior: de 60% a 48%.

Outra pesquisa, do instituto Gallup, apontou que cresceu de 7% para 22% entre março de 2022 e janeiro de 2023 a parcela das pessoas que acreditavam que o governo estava dando apoio demais para a Ucrânia.

O apoio, afinal, custa caro. O Congresso americano já autorizou o envio de US$ 113 bilhões (R$ 586 bi) em ajuda militar e outros tipos de assistência, segundo o Comitê por um Orçamento Federal Responsável.

Do total, US$ 67 bilhões foram para fins militares, e o restante para ações como apoio econômico e ajuda humanitária. É muito mais, por exemplo, do que os US$ 30 bilhões estimados pelo governo por ano para aliviar a dívida estudantil. Também muito superior ao enviado a outros parceiros dos EUA como Israel, que recebeu US$ 3,3 bilhões em 2020; Afeganistão (antes da tomada do Talibã), com US$ 2,8 bilhões; e Egito, US$ 1,3 bilhão, de acordo com o Council on Foreign Relations.
Folhapress

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