Com a possível autorização pelo Congresso para que o novo governo eleito abra a torneira e libere bilhões em gastos extras em 2023 por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Transição, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve nesta quarta-feira, 7/12, em decisão unânime, a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano pela terceira reunião consecutiva, como era amplamente esperado.
Mesmo com a estabilidade, a taxa está no maior patamar em cerca de seis anos, depois do mais longo ciclo de alta de juros da história do Copom, iniciado em março de 2021.
No comunicado da decisão, o comitê do BC alerta para os riscos fiscais e cita incerteza sobre o futuro arcabouço fiscal do País, diante da perspectiva da revogação do teto de gastos – regra que limita as despesas do governo à variação da inflação.
A decisão ocorre em meio à tramitação no Senado da PEC da Transição, que prevê uma “licença” para a expansão de despesas pelo novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva de modo a acomodar promessas eleitorais, como o pagamento do Bolsa Família de R$ 600. O texto aprovado ontem pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado abre espaço para R$ 168 em gastos.
Mesmo com a estabilidade da taxa Selic pela terceira reunião consecutiva, o Brasil continua a ter a maior taxa de juro real (descontada a inflação) do mundo, em uma lista com 40 economias. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 8,16% ao ano.
Em segundo lugar na lista que considera as economias mais relevantes, aparece o México (5,39%), seguido da Chile (4,66%). A média dos 40 países avaliados é de -2,16%.
Essa foi a última reunião do Copom no governo de Jair Bolsonaro. Quando o atual mandatário assumiu o Planalto, em janeiro de 2019, a Selic estava estacionada em 6,50% há seis reuniões consecutivas do colegiado.
Estadão





