(Da Redação) O Instituto Argonauta foi acionado, na última sexta-feira (29/7), com informações sobre uma baleia que foi avistada próxima a Praia Vermelha do Sul, em Ubatuba. A princípio, a suspeita era de que o animal estava emalhado. Contudo, era uma Baleia-Franca que nadava próximo à costa com seu filhote.
A equipe de campo do Instituto Argonauta, com o apoio do salva-vidas da Praia Vermelha do Sul, se deslocou de bote até o local, porém, não foi possível uma aproximação segura que confirmasse a presença da rede. Com isso, a equipe do Argonauta treinada para esse tipo de operação e que atua com o desemalhe de baleias foi acionada e seguiu em busca do animal. Enquanto a equipe em terra tentava monitorar o deslocamento da baleia, que, após um período sem avistagem, conseguiu localizá-la na mesma região que foi avistada pela primeira vez. Ao se aproximarem, identificaram que não se tratava de uma Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) emalhada, e sim de uma Baleia-franca (Eubalena australis) com filhote, que estavam descansando, em comportamento de amamentação e cuidados.
As baleias-francas tem uma natação mais discreta e lenta, sem os saltos e batimento de nadadeiras tão visíveis quanto as Jubartes, o que leva muitas pessoas a acharem que estão com problema e não conseguindo se deslocar. Foi possível acompanhá-las por um período e ver que mãe e filhote estão bem e precisando apenas de descanso para em breve seguir viagem.
Este é o terceiro registro do ano de Baleias-franca na região. Ao contrário da baleiajubarte, que pode ser vista em nosso litoral durante a sua migração, a baleia-franca costuma aparecer mais na região sul do país. Sua identificação ocorre por meio do padrão das calosidades naturais da espécie, este padrão é único para cada indivíduo.
O cetáceo possui uma coloração escura e as calosidades da cor bege geram um contraste que facilita a identificação de cada baleia. “Por serem animais lentos e frequentes em áreas costeiras, as baleias-franca já foram alvo de caçadores, o que resultou na quase extinção da espécie. Atualmente não são mais consideradas como animais ameaçados, e considerados como de menor preocupação (LC- Least Concern) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) e vê-las ocupando novamente o espaço no nosso litoral é muito gratificante.”, explica o oceanógrafo, Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta.
Sobre o registro do Instituto Argonauta, Karina Groch, Diretora de Pesquisa ProFRANCA/Instituto Australis, conta que “Este está sendo um ano com um grande número de baleias-francas em nosso litoral. Essa avistagem é a baleia catalogada com o número B429, que demos o nome de Zimba. Nossa conhecida desse 2006, já esteve várias vezes no Brasil! É uma baleia muito especial para nós, pois é a mascote
do nosso projeto, o ProFRANCA. Este ano já foi avistada em Macaé (RJ), dia 29 de junho, há um mês, e está sendo muito lindo acompanhá-la pela região sudeste, com o quarto Filhote registrado no Brasil!” Informações e imagem: Radar Litoral





