A primavera no Brasil vem sendo marcada por uma sequência de frentes frias que continuam fortes neste mês de novembro, com temperaturas abaixo da média para o final de ano no país. O fenômeno atípico, influenciado pelo La Niña no Oceano Pacífico, faz com que os meteorologistas apontem para um verão rígido e de altas temperaturas no território brasileiro.
Modelos feitos pelo MetSul, que já previam o frio tardio e o calor escasso para os meses de outubro e novembro, mostram que o calor deve chegar ao país principalmente a partir de janeiro de 2023, apesar do verão começar oficialmente no Hemisfério Sul já em 21 de dezembro.
Entre os fatores ligados ao calor intenso pelo mundo está o déficit de chuva, com estiagens marcantes na Europa em julho deste ano e no Uruguai e na Argentina no começo de 2022. Seguindo este padrão, a presença ainda constante do La Ninã no Oceano Pacífico é considerada mais um facilitador de ondas de calor na América do Sul no próximo verão.
O fenômeno La Niña se intensifica mais no verão e na primavera, entre setembro e março, causando resfriamento em grande escala na temperatura da superfície do oceano.
Ele se desenvolve quando ventos que sopram sobre o Pacífico empurram as águas quentes da superfície para o oeste, em direção à Indonésia. Em seu lugar, as águas mais frias do oceano profundo sobem à superfície. Isso causa grandes mudanças climáticas em diferentes partes do mundo, como mais chuva a áreas da Oceania e seca para a América.
Mesmo com a previsão de um verão intenso, a expectativa é de que o calor no Brasil seja menos intenso nesse novo ciclo, sem quebrar os recordes vistos na onda de calor histórica entre dezembro de 2021 e março deste ano.
O cenário desenhado para o próximo verão pelos modelos climáticos prevê ondas de calor e períodos de temperaturas acima da média, mas com referências históricas apontando para temperaturas um pouco mais amenas que as vistas no último verão.
Nas últimas três décadas, os anos de 1992, 2007 e 2010 — marcados por frio tardio, registrado em novembro — tiveram primaveras seguidas de verões com temperaturas máximas próximas à média histórica, com algumas áreas da região Sul com calor ainda mais amenizado pelas chuvas, em uma tendência que pode se repetir, segundo o Metsul.
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