17/09/2026

Acordo por grãos mostra comunidade internacional aprendendo a viver com guerra.

Enquanto o Brasil desaparece da diplomacia mundial, afogado no mar de mentiras de Jair Bolsonaro, a comunidade internacional começava a responder ao caos geopolítico provocado pela invasão da Ucrânia.

Liderada por uma ONU mais ativa e uma Turquia fortalecida pelo seu papel regional estratégico, os representantes ucranianos e russos assinaram, na sexta (22), o primeiro acordo visando a suspensão do bloqueio do Mar Negro, um dos principais vetores da escalada dos preços de alimentos que derrubou governos, levou ao endurecimento de políticas monetárias e ampliou o risco de uma recessão global.

Se os ministros da Defesa russo e o de Infraestrutura ucraniano se recusaram a se sentar na mesma mesa, a realidade é que Kiev e Moscou negociaram ativamente e assinaram documentos idênticos.

De caráter temporário, o pacto tem como objetivo permitir a circulação de navios paralisados nos portos ucranianos desde o começo do conflito e liberar os estoques de grãos. Em contrapartida, será facilitada a circulação marítima russa, severamente abalada pelas sanções. O acordo seria renovado automaticamente daqui a quatro meses em caso de sucesso, o que está longe de ser garantido.

Embora precário e permanentemente ameaçado pela volatilidade da guerra, o acordo entra na história como o primeiro esforço concreto para a reconstrução das relações entre Ocidente e Oriente no mundo pós-Ucrânia. Todas as partes parecem reconhecer que a disputa pela soberania territorial é irreconciliável no momento atual. A diplomacia deixou de lado a resolução do conflito e passou a buscar dispositivos para assegurar a cooperação internacional enquanto a situação evolui no campo de batalha.

A equipe diplomática de Lula parece ter sentido a mudança de ventos. Mais do que conter a histeria bolsonarista, a articulação de uma reunião do candidato com os embaixadores do Brics, mencionada nesta Folha, busca posicionar um futuro governo brasileiro nesse processo. Comandado por um governo funcional, o Brasil pode desempenhar, à escala do Sul Global, o papel que a Turquia teve nesta semana.
Folhapress

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