A chuva em São Sebastião deixou mais de mil pessoas desabrigadas na cidade. Na última semana, o governo estadual anunciou a construção de casas populares para que as pessoas sejam abrigadas fora das áreas de risco. De acordo com o Ministério Público, são mais de 100 áreas vulneráveis a desastres ocupadas na cidade.
Foram anunciados terrenos em três áreas. Os locais ficam nos bairros Topolândia, Maresias e uma área na própria Vila Sahy — epicentro da tragédia. Inicialmente, o governo estima que de 400 a 600 casas sejam construídas nessas três áreas.
Último boletim divulgado pelo estado aponta que a tragédia no Litoral Norte de São Paulo deixou 1090 desalojados e 1126 desabrigados até esta quarta-feira (1°/3).
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e da Habitação de São Paulo informou que ainda não está definido para onde as famílias irão.
Moradores da Vila Sahy, onde está a maior parte dos afetados pela tragédia, temem ser levados para a Topolândia, a 45 km de distância de onde hoje moram. Os moradores trabalham nas casas de veraneio e em comércios na região sul da cidade e dizem que a transferência, se ocorrer, os deixaria sem ter como trabalhar.
Um dos terrenos fica na Vila Sahy, epicentro da tragédia e que registrou a maior parte das mais de 65 mortes. O local é uma área que fazia parte de um projeto de reurbanização da comunidade, com a construção de casas fora da área de risco pelo CDHU oferecido em janeiro de 2022, mas que terminou sem resposta da prefeitura.
O terreno tem 10 mil m² e foi desapropriado pelo governo estadual no último sábado (25). Segundo o governo, apesar de estar próximo da comunidade alvo de deslizamentos, a área é plana e segura. Apesar disso, moradores dizem que na área ocorrem alagamentos.
Pelo menos 80 casas serão construídas no local, de acordo com o governo estadual. Segundo o Ministério das Cidades, as casas construídas serão parte do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’.
O segundo terreno é da prefeitura e, segundo a administração, vai ser cedido para a construção de casas à população desabrigada. A área fica no Topolândia, a 45 km da área mais atingida pela chuva. A região é periférica e fica próxima à Praia do Deodato. Em 2018, a praia chegou a ser chamada pela prefeitura de “cracolândia” de São Sebastião.
O novo endereço é alvo de discussão entre os moradores. Isso porque a prefeitura e o governo do estado não deixaram claro se os moradores da Vila Sahy, que fica na região sul da cidade, vão ser transferidos para lá. A comunidade no Sahy tem como atividade principal o trabalho nas casas de veraneio e comércios na região sul, e a distância impactaria no trabalho.
Além disso, o bairro sofre com alagamentos e pelo menos duas casas desabaram por completo no dia da tragédia.
A Secretaria de Habitação, por meio de nota, informou que nada ainda foi definido e que “ainda precisam definir alguns pontos e análises para poder anunciar essas informações com exatidão”.
A Prefeitura de São Sebastião informou nesta segunda-feira (27), que encaminhou ao governo do Estado a documentação de mais uma área que pode ser usada para a construção de moradias populares em Barequeçaba. A administração ainda avalia possíveis áreas em Barra do Una e na Baleia Verde.
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