18/09/2026

Tubarão salta da água e impressiona moradores durante temporada de baleias em Ilhabela


Redação Diário Caiçara – Em plena temporada de observação de baleias-jubarte no Litoral Norte de São Paulo, quem chamou atenção nesta sexta-feira (10/07) foi um tubarão. O animal foi flagrado saltando para fora da água durante uma navegação no canal de Ilhabela.

O registro repercutiu rápido nas redes sociais e deixou moradores e turistas curiosos sobre a espécie e se ela oferece algum risco às pessoas.

A identificação foi feita pelo fotógrafo e documentarista de vida selvagem Rafael Mesquita. Segundo ele, o animal aparenta ser um tubarão-mangona (Carcharias taurus). Apesar da aparência forte, com dentes longos sempre visíveis, a espécie tem comportamento calmo e não costuma ser perigosa para o ser humano.

O flagrante também mostra a riqueza da fauna marinha no canal de São Sebastião. O avistamento reforça a importância do litoral paulista para a conservação da espécie.

Pesquisa aponta área de reprodução em Alcatrazes

Um estudo do Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal de São Paulo (Labecmar-Unifesp) mostrou que o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes é usado pelo tubarão-mangona em fases importantes da reprodução.

A pesquisa registrou machos adultos, fêmeas com marcas recentes de acasalamento e até uma fêmea grávida na unidade de conservação. Isso mostra que a região funciona como área de reprodução da espécie.

As análises foram feitas entre os verões e invernos de 2022, 2023, 2024 e 2025, com câmeras subaquáticas com isca. Essa técnica permite registrar e medir os animais sem interferir no comportamento natural deles. Os pesquisadores também viram que o tubarão-mangona aparece em Alcatrazes tanto no inverno quanto no verão, formando grupos de até dez animais.

Espécie está criticamente ameaçada de extinção

O tubarão-mangona é classificado como criticamente ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). As principais ameaças à espécie são a perda de habitat, a poluição marinha, as mudanças climáticas e a captura acidental durante a pesca.

A baixa taxa de reprodução também dificulta a recuperação da espécie. A gestação dura entre nove e 12 meses, e cada fêmea gera apenas dois filhotes por gravidez, um em cada útero. É uma das menores taxas de fecundidade entre os tubarões.

Durante a gestação, a espécie passa por um processo chamado viviparidade adelfofágica, também conhecido como canibalismo intrauterino. Nessa fase, os embriões mais desenvolvidos se alimentam de óvulos produzidos pela mãe e, às vezes, de embriões menores. Assim, garante-se que apenas um filhote se desenvolva em cada útero.

Como é o tubarão-mangona

O tubarão-mangona vive nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico Ocidental. No Brasil, aparece principalmente entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. A espécie prefere águas costeiras, entre seis e 200 metros de profundidade, mas também pode fazer incursões ocasionais em áreas mais afastadas da costa.

Quando adulto, pode chegar a três metros de comprimento e cerca de 150 quilos. Se alimenta de peixes ósseos, pequenos tubarões, raias, lulas, polvos e crustáceos. Mesmo com os dentes pontiagudos sempre à mostra, o que faz muita gente pensar que é um animal agressivo, o tubarão-mangona tem natação lenta e comportamento tranquilo.

Imagem: Rafael Mesquita

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