
O roteiro é conhecido. O artista divulga em suas redes, emocionado, uma conquista: ele acabou de aparecer em um telão da Times Square, em Nova York. Ele lembra a infância difícil, os anos de labuta no anonimato, e crava: agora a consagração mundial chegou. Mas o que pode ser entendido por muitos como sinônimo de sucesso é, na verdade, mais acessível do que parece.
Se antes os alugueis de espaços maiores e mais duradouros de outdoor chegavam a mais de US$ 1 milhão (quase R$ 5 milhões), hoje empresas oferecem micropacotes que custam US$ 40 (aproximadamente R$ 190) para qualquer pessoa exibir um vídeo de 15 segundos em uma parte da Times Square. Estes instantes são esticados em fotos eternas no Instagram e celebrações longas em vídeos e posts para divulgar o “feito”.
A facilidade de contratar o serviço por um valor acessível bagunçou o conceito de sucesso e reajustou as motivações por trás das propagandas veiculadas por lá. A exibição, que já não era um termômetro preciso de êxito profissional, se tornou até espaço de homenagens de fãs que querem ser notados pelos ídolos através da internet.
Wes Mariano, coordenador de comunicação da Agência O Raio e especialista em marketing, afirma que a estratégia alimenta um mundo de fantasias. Mas, ainda que não defenda o uso do método, ele acredita na ação como uma maneira interessante de impulsionar artistas nas redes sociais, justamente pela repercussão entre internautas.
Já o empresário Flávio Saturnino diz que desejo de aparecer na Times Square faz parte da busca pela validação. “Temos exemplos de vários artistas com números super expressivos, mas que ainda querem ser validados de alguma forma. É uma maneira de ser visto e mostrar para os outros: ‘olha, sou tão grande que furei a bolha’”.
Estadão





