
A tomada da capital da Síria por rebeldes pôs fim ao regime que estava há mais de cinco décadas no poder. Na iminência de uma perda de controle, o ditador Bashar al-Assad fugiu para a Rússia e deixou o país nas mãos dos dissidentes. Com o fim súbito da dinastia Assad, espera-se um redesenho na política interna, além do reposicionamento na geopolítica do Oriente Médio.
Rebeldes da Hayat Tahrir Al-Sham (Organização pela Libertação do Levante, em português), chegaram a Damasco na madrugada de domingo (8/12) – horário local. O grupo, embora tenha findado a ditadura sanguinária dos Assad, é visto com receio pela comunidade internacional, já que tem raízes na Al-Qaeda e é classificado, pelos Estados Unidos (EUA), como um grupo terrorista.
Eles então chegaram a Damasco e, horas depois, os radicais islâmicos anunciaram a queda do presidente sírio, que estava no poder há 24 anos. A ofensiva, que durou apenas 12 dias, forçou Assad a renunciar ao cargo de presidente e buscar asilo na Rússia.
Robinson Farinazzo, especialista em geopolítica, considera que a tomada de poder pelos rebeldes tem potencial para mudar a dinâmica na geopolítica do Oriente Médio. “A Síria tinha um papel fundamental, ela servia de eixo de abastecimento para o Hesbollah no Líbano […] e servia também de base para a Rússia, que tinha bases aéreas e navais ali”, disse em entrevista de vídeo ao Metrópoles.
O especialista faz um paralelo do que ocorreu com Saddam Hussein, no Iraque, e Muammar Gaddafi, na Líbia. “[A Síria] deve ter o mesmo destino desses países, ou seja, deve ficar em uma situação de bastante instabilidade, se não se fragmentar”, descreve.
“Quando você tem um país muito fragmentado em termos de visão de sociedade, você fica bastante sujeito à influência externa. Então, ali vão influir turcos, sauditas, americanos, israelenses. Talvez continuem a influir iranianos, e a Rússia a gente não sabe como vai se comportar”, ressaltou.
Metrópoles





