17/09/2026

Senado aprova pacote de Milei após tenso confronto e ampla negociação


É questão de ver o copo meio cheio, ou então meio vazio. Javier Milei obteve sua primeira vitória legislativa na Argentina em pouco mais de seis meses de governo nesta quarta-feira (12/6), ainda que em um escopo bem reduzido do que o que pretendia inicialmente.

Em um dia de fortes tensões no entorno do Congresso na capital Buenos Aires, o Senado do país enfim aprovou a Lei de Bases proposta pelo ultraliberal —antes comumente chamada de Lei Ônibus.

Após disputa de voto a voto, a Casa Rosada conseguiu reunir 36 votos. O Senado tem 72 membros, e aprovar a medida exigia maioria de ao menos 37. Com o cenário de empate, coube à vice-presidente Victoria Villarruel, que no país também presidente o Senado, desempatar.

Obviamente, ela votou pela aprovação. “Hoje existem duas Argentinas, uma violenta, outra dos trabalhadores”, disse ela. “Por esses argentinos que sofrem, esperam e não querem ver seus filhos saírem do país, que merecem recuperar seu orgulho, meu voto é afirmativo.”

Foi uma verdadeira maratona de negociações ao longo do último mês e também nesta quarta-feira, quando o debate teve início às 10h16 e se estendeu por todo o dia com longas falas, acusações e trocas de farpas. Os senadores ainda devem votar artigo por artigo do conteúdo.

Logo no início, o governo Milei aceitou retirar a empresa Aerolíneas Argentinas da lista de estatais privatizáveis reunidas no pacote liberal. Era um dos pontos mais sensíveis e alvo de crítica de senadores de províncias mais afastadas da região central do país. Também saíram desta lista os Correios e a Rádio e Televisão Argentina (RTA).

Foi um esforço final da Casa Rosada diante de um cenário complicado no Legislativo. O governo Milei já viu seu pacote, prioridade legislativa, ser desidratado desde o início deste ano. Até aqui, em mais de seis meses de governo, não havia aprovado suas medidas no Congresso.

Opositores dizem que esse projeto deixará de lado pequenas e médias empresas; apostará em áreas na contramão do combate à mudança climática; retirará autonomia das províncias nestas decisões e, em certa medida, ferirá a soberania nacional.
Folhapress

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