
O governo da Rússia deteve um dos seus mais importantes generais, Serguei Surovikin, aparentemente para interrogá-lo sobre seu grau de envolvimento no motim dos mercenários do Grupo Wagner, o mais grave desafio interno à autoridade de Vladimir Putin em mais de duas décadas de poder.
A prisão foi relatada inicialmente por canais militares russos no Telegram, como o Rybar. O jornal The Moscow Times publicou a mesma informação depois, baseado em dois funcionários do Ministério da Defesa, e a Folha ouviu a mesma versão de uma pessoa com acesso ao Kremlin.
Até aqui, o governo russo não comentou o caso, e é bastante provável que não confirme nada. Nesta quarta (28/6), o jornal americano The New York Times havia publicado reportagem afirmando que Surovikin estava sob investigação devido ao motim, e que tinha conhecimento prévio do movimento. O general não é visto em público desde domingo (25).
O Kremlin não negou peremptoriamente a informação, com seu porta-voz dizendo apenas que “o movimento [motim] causa muita intriga e fofoca, e parece ser o caso”.
Segundo o Rybar e o contato da Folha, Surovikin foi detido no domingo e está em uma prisão militar. Não está claro, porém, se ele teve alguma participação na sublevação liderada pelo homem que até então era conhecido como o “chef de Putin”, Ievguêni Prigojin.
Surovikin era visto como o general de mais alto escalão próximo de Prigojin, em oposição à ala liderada pelo ministro da Defesa, Serguei Choigu, que o mercenário nominalmente quis derrubar no fim de semana para evitar a dissolução de seu grupo. Ao menos essa era a versão da história dada por Prigojin, que negou trabalhar contra Putin, de cujo governo recebeu quase R$ 10 bilhões —metade para atuar na Guerra da Ucrânia, metade para os serviços de alimentação do governo que lhe garantiram o apelido.
Folhapress





