
Kiev tentou cantar vitória diplomática neste fim de semana (5 e 6/8) com a realização de uma conferência de paz em Jedá, na Arábia Saudita, com 42 países —incluindo a aliada russa China, nações não alinhadas que condenaram a invasão, como o Brasil, ou que nem isso fizeram, como a Índia. A Rússia não foi convidada.
Zelenski esteve presente, sendo recebido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, o verdadeiro líder do reino. Se houve o sucesso do evento em si, ele serviu para todos concordarem em suas discordâncias.
Elas ficaram claras na fala do enviado chinês, Li Hui, a repórteres. “Nós temos muitas desavenças e ouvimos posições diferentes, mas é importante que nossos princípios sejam compartilhados”, afirmou, dando o caráter da inocuidade neste momento do evento, o segundo do tipo. Uma terceira reunião ficou combinada.
O assessor diplomático do governo Lula Celso Amorim, presente via videoconferência, resumiu a posição brasileira, dizendo que ambos os lados precisam ter suas preocupações ouvidas, repetindo a neutralidade do país —o presidente brasileiro se envolveu em diversas polêmicas por criticar tanto Zelenski quanto Vladimir Putin pela guerra iniciada pelo russo.
“Isso não é apenas um conflito entre Rússia e Ucrânia. É também um capítulo da longa rivalidade entre a Rússia e Ocidente”, afirmou, defendendo ser necessário entender o contexto histórico da crise. Para o Ocidente liderado pelos EUA e para Kiev, a frase óbvia é vista como herética.
A grande ausente, a Rússia, tripudiou. “O encentro reflete a tentativa continuada, fútil e condenada do Ocidente de mobilizar a comunidade internacional, mais precisamente o Sul Global, se não toda ela, para apoiar a chamada fórmula Zelenski, que está condenada e é inalcançável desde o começo”, afirmou neste domingo o vice-chanceler Serguei Riabkov.
Sul Global é o jargão diplomático para países não alinhados com o conglomerado formado por EUA e seus aliados, como o Brasil, a Índia, a Indonésia e, em menor medida dado seu peso relativo maior, a China. Já a fórmula Zelenski é o plano de dez pontos de Kiev, que basicamente exige a devolução de todo o território tomado pelos russos, incluindo a Crimeia anexada em 2014, e garantias de segurança.
Já em uma entrevista ao jornal The New York Times, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, voltou a dizer que a Rússia não tem interesse em conquistar toda a Ucrânia. Talvez da forma mais clara até aqui, o que não quer dizer muito dado que promessas semelhantes já foram feitas antes, ele afirmou: “Nós só queremos controlar a terra que está agora inscrita na Constituição como nossa”, afirmou.
Folhapress





