17/09/2026

Putin reage à Otan e simula ataque nuclear maciço


Em meio à aguda tensão global decorrente das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a Rússia iniciou um exercício de retaliação nuclear maciça contra a Otan nesta quarta (25/10), véspera do fim da simulação anual de ataque atômico feito pela aliança militar liderada pelos Estados Unidos.

A coincidência da manobra ocidental Steadfast Noon e da russa Grom, que no ano passado ocorreu sem alarde, foi anunciada com pompa na TV estatal pelo ministro Serguei Choigu (Defesa), em conferência com o presidente Vladimir Putin.

“A Rússia testou sua habilidade de executar um ataque retaliatório maciço”, afirmou. Ele entregou um relato do exercício a Putin. Foram lançados ao mesmo tempo um míssil intercontinental RS-24 Iars da base de Plesetsk (noroeste do país), um míssil RS-29 Sineva de um submarino nuclear no Ártico e modelos de cruzeiro por dois bombardeiros estratégicos Tu-95MS.

O Grom (trovão, em russo) era um exercício anual soviético que foi retomado em 2019 por Putin, mas que ganhou novas dimensões políticas com o recorrente recurso do Kremlin à carta das ameaças nucleares em sua disputa com o Ocidente.

Esta já estava exacerbada pela invasão da Ucrânia, em que os EUA e aliados bancam a resistência militar de Kiev, e agora escalou com a guerra entre Israel e o Hamas palestino. Putin não apoiou o ataque terrorista do grupo no dia 7 de outubro, mas tem seguido a tradição diplomática russa de se posicionar em favor dos palestinos em fóruns internacionais como a ONU.

Mais importante, sinalizou desagrado com o envio de grupos de porta-aviões americanos para dissuadir o Irã, seu aliado regional, de intervir no conflito. Ele o fez sem sutileza, acionando patrulhas da caças MiG-31K no mar Negro, armados com mísseis hipersônicos teoricamente capazes de atingir os navios dos EUA.

O Grom ocorreu um dia antes do fim do exercício Steadfast Noon (meio-dia com firmeza, em inglês), tão sigiloso que só foi revelado pela Otan em 2019. Neste ano, envolve 60 aviões, incluindo bombardeiros com capacidade de emprego de armas nucleares B-52H e caças táticos F-35, de 13 países da aliança.

A Otan tentou enfatizar em nota que a manobra “não tem a ver com a situação atual, tanto que é realizada a mais de 1.000 km das fronteiras da Rússia”, no caso o espaço aéreo entre a Itália e a Croácia —coincidentemente, perto do teatro de operações da guerra em Israel.

Mas a mensagem é inequívoca: é um exercício de ataque nuclear. Nem se diz defensivo como os russos tentam edulcorar no caso do Grom. E a única potência atômica rival da Otan na região se chama Rússia.

A diferença principal da manobra ocidental é que ela prevê o emprego de armas nucleares táticas, de menor potência e uso contra objetivos militares mais limitados. Já a ação russa é a ideia popular do apocalipse atômico, com as ogivas ditas estratégicas, mais potentes e para obliteração de cidades inteiras.
Folhapress

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