Integrantes do PT e de partidos aliados ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticam a condução da negociação para aprovar a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição no Congresso e cobram do petista o anúncio rápido de um ministro com credenciais para honrar compromissos políticos.
A avaliação entre parlamentares de siglas como PL, PSD e correligionários de Lula é que a indicação de quem será o responsável pela articulação política do futuro Palácio do Planalto aumentaria as chances de aprovação da proposta.
A indicação de quem comandará a Fazenda serviria ao mesmo propósito, mas, como Lula já sinalizou que não quer se apressar nessa definição ou fazer a escolha por “pressão”, parlamentares passaram a cobrar o nome daquele com quem vão conversar no dia a dia.
A função é hoje ocupada pela Secretaria de Governo e, em governos petistas, foi exercida pelo ministro de Articulação Política.
Mesmo na cúpula do partido, o diagnóstico é que as negociações políticas estão difusas, o que dificulta a interlocução no Congresso e a construção de uma base política para aprovar a PEC. A aprovação do texto, que abre espaço para despesas como a do Bolsa Família, por exemplo, é necessária para que Lula cumpra promessas de campanha.
Pessoas próximas do petista dizem, no entanto, que ainda não é possível saber quando Lula irá anunciar o chefe da articulação política, pois essa definição depende do arranjo para distribuição das pastas entre partidos que querem fazer parte do governo eleito.
O ex-governador do Piauí e senador eleito Wellington Dias (PT), junto ao vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), foi destacado ainda na primeira semana após a eleição para negociar com o Congresso e abrir espaço fiscal para as medidas que Lula deseja encampar.
Mas houve críticas pelo fato de o relator-geral do orçamento de 2023, Marcelo Castro (MDB-PI), ter sido procurado para combinar um texto antes mesmo de petistas terem conversas com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Além disso, há a leitura entre congressistas de que, por mais que Dias e outros parlamentares petistas negociem os termos do acordo, não há certeza que algum deles se sentará na cadeira de ministro para assegurar compromissos que venham a ser firmados na negociação.
Essa cobrança parte especialmente de parlamentares que não se reelegeram e querem garantias de que acordos selados agora serão cumpridos após posse de Lula. Há críticas pela ausência de quem efetivamente daria cara ao governo Lula.
Ciente das insatisfações, o PT escalou um gabinete provisório de articulação, com a presença de deputados e senadores da legenda.
Folhapress





