
Núcleo de Jornalismo | Diário Caiçara — A Prefeitura de Ubatuba, reconheceu ter executado um trecho do hino nacional da Alemanha historicamente associado ao nazismo durante uma cerimônia de recepção a uma delegação alemã. O episódio provocou desconforto entre os visitantes, segundo relato apresentado na Câmara Municipal, e ganhou repercussão nos últimos dias.
A situação ocorreu durante a visita de autoridades e estudantes das cidades alemãs de Homberg (Efze) e Wolfhagen, que estiveram em Ubatuba entre os dias 24 e 30 de outubro para fortalecer uma parceria de intercâmbio educacional e cultural.
Durante a recepção, foi executada a primeira estrofe da composição conhecida como Deutschlandlied, ou Canção dos Alemães. Embora a música tenha sido escrita em 1841, antes do surgimento do nazismo, esse trecho foi apropriado pelo regime de Adolf Hitler, entre 1933 e 1945, tornando-se historicamente associado àquele período.
Atualmente, apenas a terceira estrofe da composição integra oficialmente o hino nacional alemão.
Vereador relata constrangimento da delegação
O caso foi levado ao conhecimento público pelo vereador Gady Gonzalez (MDB), durante sessão da Câmara Municipal realizada na terça-feira (27/10).
Segundo o parlamentar, integrantes da delegação alemã demonstraram desconforto com a execução da música e solicitaram que a situação não se repetisse em outros compromissos oficiais.
O vereador afirmou ter recebido informações de pessoas que acompanhavam os visitantes e relatou que alguns representantes teriam evitado fotografias e solicitado discrição após o episódio.
Apesar das críticas, Gonzalez declarou não acreditar que a escolha da música tenha sido intencional. Para ele, a situação pode ter ocorrido por desconhecimento sobre o significado histórico da composição.
Entenda por que o trecho é associado ao nazismo
O hino alemão possui uma história anterior à Segunda Guerra Mundial.
A composição original foi escrita em 1841 pelo poeta August Heinrich Hoffmann von Fallersleben. Décadas depois, sua primeira estrofe passou a ser utilizada pelo regime nazista, adquirindo uma associação com a ideologia nacionalista e expansionista daquele período.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha estabeleceu que somente a terceira estrofe seria utilizada oficialmente como hino nacional.
A orientação foi adotada em 1952 e reafirmada em 1991, após a reunificação alemã.
O trecho atualmente utilizado destaca os princípios de unidade, justiça e liberdade, valores ligados à democracia do país.
Por isso, é importante esclarecer que a composição original não foi criada pelo regime nazista. A controvérsia envolve especificamente a utilização de sua primeira estrofe em uma cerimônia oficial.
Prefeitura reconhece equívoco e afirma que situação foi resolvida
Em nota oficial, a Prefeitura de Ubatuba, administrada pela prefeita Flavia Pascoal (PL), reconheceu o erro e informou que a situação foi esclarecida diretamente com os representantes alemães.
A administração classificou o episódio como um equívoco pontual, identificado e solucionado imediatamente por meio do diálogo com a delegação.
A Prefeitura também ressaltou que a composição original é anterior ao nazismo e que a associação histórica envolve a apropriação de sua primeira estrofe pelo regime de Hitler.
Segundo o Executivo, não existem pendências relacionadas ao episódio entre a administração municipal e os representantes estrangeiros.
A Prefeitura reafirmou seu respeito à história, à cultura e aos símbolos nacionais da Alemanha, além do compromisso com a manutenção das relações institucionais entre os municípios.
Visita tinha como objetivo fortalecer intercâmbio entre os países
A delegação alemã esteve em Ubatuba para participar de atividades relacionadas ao projeto Hans Staden, que busca ampliar a cooperação entre o município brasileiro e as cidades de Homberg (Efze) e Wolfhagen.
A parceria prevê oportunidades de intercâmbio estudantil, aprendizado de idiomas, troca de experiências educacionais e desenvolvimento de projetos culturais e ambientais.
A aproximação entre os municípios tem relação com a trajetória histórica do cronista alemão Hans Staden, que esteve no litoral brasileiro no século XVI.
Apesar da repercussão do episódio, a Prefeitura informou que o ocorrido foi esclarecido e reafirmou seu compromisso com a continuidade da cooperação internacional.
Imagem: PMU





