17/09/2026

Porque o Japão foi proibido de ter exército e como isso auxiliou o desenvolvimento do país.

Olá a todos! O Japão, o país asiático de pouco mais de 120 milhões de habitantes, cujo qual representa a terceira maior economia do mundo chegando ao PIB de US$ 5 trilhões, através de sua alta industrialização voltada a tecnologia e com uma mão de obra qualificada e eficiente. E tudo isso, logo após sair devastado da guerra tendo ajuda de seu antigo inimigo, os Estados Unidos, que reconstituíram toda constituição japonesa, a fim de evitar uma nova guerra, beneficiando ao Japão e ao sistema internacional.

O Início

Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão foi proibido de ter um exército próprio. Essa restrição foi imposta pelos Estados Unidos, que assumiram o controle do país após a guerra. Ao longo dos anos, essa medida se mostrou fundamental para o desenvolvimento do Japão, já que permitiu que ele se concentrasse em outras áreas, como a economia e a tecnologia, deixando a responsabilidade de defesa aos estadunidenses como ‘pagamento’ de dívida aos estragos ocasionados na guerra, principalmente ao ataque mortal de bombas atômicas em Nagasaki e Hiroshima .

A proibição de ter um exército próprio foi uma mandatória dos Estados Unidos por diversos motivos. A priori, o país queria resguardar que o Japão se tornasse uma potência militar novamente e representasse uma ameaça à segurança regional e mundial. Ademais, os Estados Unidos queriam assegurar de que o Japão centralizaria suas forças e recursos para sua reconstrução e na construção de uma economia forte, em vez de gastar artifícios em armamentos e na manutenção de um exército militar.

O boom de desenvolvimento

Essa restrição se provou primordial para o desenvolvimento do Japão nos anos subsequentes. Com o fim da guerra, o país se encontrava em uma situação econômica e social desastrosa, como muitas cidades haviam sido destruídas, a infraestrutura estava em ruínas e a população sofria com a escassez de alimentos e outros recursos básicos de sobrevivência, essa era a realidade do pós-guerra, um cenário de “fim do mundo”.

Todavia, devido à proibição de ter um exército próprio, o Japão foi forçado a concentrar seus esforços em outras áreas, como a economia e a tecnologia. O país se tornou um dos líderes mundiais em tecnologia, com empresas como a Sony (computadores, celulares e TVs), a Toshiba e a Panasonic (celulares e TVs), a Honda e Nissan (motos e carros), Toyota e Mitsubishi (carros), a Nippon (telecomunicações), ENEOS (gás e petróleo) e dentre outras, recebendo assim, reconhecimento em todo planeta. Posteriormente, a economia japonesa se recuperou rapidamente e se tornou uma das mais fortes do mundo, alcançando o patamar de segunda maior economia do mundo no século XX, atrás tão somente dos Estados Unidos.

Força de Autodefesa – JSDF

Conforme o passar dos anos, a ressalva de ter um exército próprio acabou sendo flexibilizada. Em 1950, o país foi autorizado a ter uma Força de Autodefesa, que consistia em uma força terrestre, uma força aérea e uma força naval, a chamada JSDF. Essa força foi estabelecida com o objetivo de proteger o país em caso de uma ameaça externa, mas ainda assim estava limitada em sua capacidade de agir fora do território japonês. Contudo, mesmo com a permissão de ter uma Força de Autodefesa, o Japão continuou se concentrando em outras áreas tecnológicas e econômicas.

Em 1992, a Força de Autodefesa japonesa, conseguiu à aprovação da Lei Internacional de Cooperação para à Paz, permitindo assim, que a JSDF participasse de missões de manutenção da paz das Nações Unidas em áreas não-combatentes e para áreas atingidas em desastres naturais que necessitam de ajuda humanitária.

Hoje, o Japão enfrenta uma série de desafios em termos de segurança, incluindo as ameaças representadas pela China – que vem aumentando sua influência no Oceano Pacífico e possuem, atualmente, o maior investimento anual em defesa militar com US$ 294 bilhões – e, pela Coréia do Norte – dos quais realizam teste de misseis balísticos na região e até chegaram a invadir o espaço aéreo japonês e sul-coreano (atingindo o solo do país) – próximo as suas fronteiras e em seu espaço aéreo. Para lidar com essas ameaças, o país tem buscado reforçar sua aliança com os Estados Unidos e se engajado em iniciativas como o movimento de defesa marítimo QUAD, que também inclui Austrália, Índia e Estados Unidos.

QUAD e investimento em defesa

O QUAD é uma iniciativa criada em 2007 para promover a segurança marítima na região do Indo-Pacífico, visando a proteção das rotas comerciais e a livre circulação de navios. Para o Japão, essa iniciativa é importante para garantir sua soberania e segurança em uma região onde a China tem aumentado sua presença militar, além de delegar inspeções e investigações aos navios que circulam pela região, pedindo identificações e atrasando rotas marítimas comerciais.

Além do QUAD, o Japão também tem trabalhado para reforçar suas próprias capacidades de defesa. Em 2015, o país aprovou uma lei que permitiu a seus militares participar de missões no exterior, desde que não envolvessem o uso da força. Essa medida foi vista como uma tentativa de expandir o papel do Japão na segurança regional e internacional.

No entanto, o Japão continua a enfrentar desafios em relação à sua segurança. A China tem intensificado suas atividades militares na região, incluindo a construção de ilhas artificiais no Mar do Sul da China, o que os permitem a realização de bases militares, ‘pedágios’ e até aumento de zona de exploração e território marítimo. A Coréia do Norte também representa uma ameaça, com seu programa nuclear e de mísseis balísticos.

O que tem sido feito?

Para os japoneses, a proibição de ter um exército próprio após a Segunda Guerra Mundial se mostrou fundamental para seu desenvolvimento econômico e tecnológico. Em contra partida, o país tem reconhecido a importância de ter capacidades de defesa auto suficientes para garantir sua segurança e soberania nacional em um ambiente geopolítico cada vez mais incerto e com ascensão de novas forças, com aprovação de investimentos em âmbito militar que saltarão o investimento atual de 1% do PIB, para 2%, o que já os colocaria de 9º país que mais investem em poderio militar para 2º, ficando atrás de China e Estados Unidos respectivamente e se compatibilizando com sua posição atual de 3º maior economia do mundo.

No final das contas, a proibição de ter um exército próprio após a Segunda Guerra Mundial foi um elemento fundamental para o desenvolvimento do Japão como nação e como economia. Embora o país continue a enfrentar desafios em relação à sua segurança, ele tem se esforçado para encontrar soluções eficazes e para garantir sua posição como uma das principais potências mundiais, patamar que almeja defender.

Henry Dias cursa Relações Internacionais e escreve semanalmente neste espaço.

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