Ao menos 8 das 25 mortes ocorridas na operação policial na Vila Cruzeiro, favela da zona norte do Rio de Janeiro, não foram registradas como provocadas por agentes do estado e não têm suas circunstâncias básicas conhecidas.
Essas mortes foram registradas como homicídio comum e se referem a corpos levados pelos próprios moradores ao Hospital Getúlio Vargas e outras unidades de saúde. De acordo com lideranças comunitárias, todos foram vítimas de policiais.
O registro como homicídio dificulta ainda mais o esclarecimento sobre as circunstâncias dessas mortes.
Homicídios provocados em confrontos com policiais são registrados na Delegacia de Homicídios (DH) como “mortes decorrentes de intervenção policial”. Os boletins de ocorrência apresentam, nesses casos, os agentes envolvidos na ação, incluindo de início a versão deles sobre o confronto, bem como as armas eventualmente apreendidas.
Foi esta a forma de registro, por exemplo, das 27 mortes provocadas por policiais na operação do Jacarezinho, em maio de 2021. Um agente também morreu.
A Folha obteve dois boletins de ocorrência que se referem a 18 das 25 mortes na Vila Cruzeiro.
Um relata a entrada de oito pessoas já mortas, “socorridas por populares que não se identificaram na emergência”. Esses casos foram registrados como homicídio.
Cristino Valle Brito, da OAB-RJ, que acompanhava a retirada de um dos corpos, disse que o jovem chegou a pedir ajuda para ser encaminhado ao hospital, mas morreu a caminho da unidade.
“Infelizmente, eles [os policiais] não estão fazendo o socorro dos mortos e dos alvejados. A gente está pedindo um cessar-fogo, ao menos temporário, para socorrer feridos e retirar corpos”, afirmou.
Folhapress





