O depoimento que Anderson Torres daria à Polícia Federal nesta segunda-feira (24/4) foi adiado, informou a defesa do ex-ministro da Justiça. A data da nova oitiva não foi informada até a publicação desta reportagem.
A decisão pelo adiamento foi tomada pelo delegado responsável pelo caso após pedido dos advogados de Torres. A solicitação levou em conta o estado de saúde do ex-ministro, que passou por uma avaliação médica psiquiátrica que constatou “piora significativa” em crises de ansiedade e quadros depressivos.
Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal durante os atos golpistas de 8 de janeiro, ele foi detido por apurações sobre os atos antidemocráticos e cumpre a prisão no 4º Batalhão da Polícia Militar, no Guará, desde que voltou ao Brasil.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pediu o novo depoimento para aprofundar o inquérito em andamento na Corte.
Torres viajou aos Estados Unidos antes dos atentados contra o resultado das urnas, o que levantou suspeitas de conivência ou omissão. Ele também é investigado por ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que teriam prejudicado eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2022.
Na convocação para o novo depoimento na PF, Moraes assegura “o direito ao silêncio e a garantia de não autoincriminação, se instado a responder a perguntas cujas respostas possam resultar em seu prejuízo”. Mas, para a defesa do ex-secretário, não havia condições de comparecer à oitiva no atual estado de saúde mental de Torres.
“Ocorre que, após ter ciência do indeferimento do pedido de revogação de sua prisão preventiva, o estado emocional e cognitivo do requerente, que já era periclitante, sofreu uma drástica piora. Nesse cenário, a psiquiatra da Secretaria de Saúde do DF que o atende atestou, em 22/04/2023, a impossibilidade de Anderson Torres ‘comparecer a qualquer audiência no momento por questões médicas (ajuste medicamentoso), durante 1 semana’”, afirmam os advogados no pedido de adiamento.
O ex-ministro, passou a ter acompanhamento médico em 17 de janeiro, três dias após sua prisão. Desde então, segundo a defesa dele, piorou, apresentando sensação de angústia, nervosismo, insegurança e pensamentos ruins.
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