A avenida Paulista foi tomada neste domingo (19/6) por pessoas com bandeiras de arco-íris. Depois de dois anos de interrupção devido à pandemia, a Parada do Orgulho LGBT+ voltou a lotar a principal via de São Paulo —e trouxe com ela um tom político.
Com milhares de participantes, a expectativa é que este seja um dos maiores eventos realizados na cidade desde o início da crise sanitária, em março de 2020. A Covid causou o cancelamento das duas últimas edições presenciais da Parada.
A organização afirmou que a expectativa é que até 3 milhões de pessoas participem do evento. Segundo o Datafolha, a lotação máxima do trecho Consolação-Paulista é de 1,5 milhão de pessoas —num cálculo intencionalmente superestimado, considerando sete pessoas por metro quadrado.
O tema escolhido para este retorno às ruas foi “Vote com Orgulho”, uma referência às eleições de outubro. A organização disse que o objetivo era realizar um evento de caráter suprapartidário, mas a maior parte das manifestações traziam críticas ao atual governo.
Desde a concentração, ainda pela manhã, muitos manifestantes carregavam cartazes ou bandeiras contra Jair Bolsonaro (PL). Vendedores também ofereciam material contra o presidente ou que faziam alusão a dois símbolos da oposição: a vereadora carioca Marielle Franco, morta em 2018, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Coros de “fora, Bolsonaro” foram repetidos por diversas vezes pelo público, principalmente durante os discursos. Diversos políticos também compareceram na Paulista para prestigiar o evento, como o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) e Guilherme Boulos (PSOL), pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Além do tom de protesto, a edição da Parada foi marcada pela exibição das marcas patrocinadoras. Nos anos iniciais da Parada LGBT, os trios eram organizados por entidades representativas e pelas casas noturnas que lideravam o cenário gay e underground da noite paulistana.
Agora os artistas se apresentam associados aos carros de empresas como Burger King (caso de Ludmilla) e da Amstel (com Luísa Sonza). Cláudia Regina Garcia, presidente da Parada LGBT, diz que as empresas têm políticas inclusivas.
Folhapress





