Não é preciso sair da estação Lusail para começar a se impressionar com a arquitetura do Lusail Iconic Stadium, construído para receber dez jogos da Copa do Mundo no Qatar, incluindo dois da seleção brasileira e a final.
Se de longe a arena chama a atenção por seu formato que remete a tigelas de tâmaras da época de ouro do artesanato islâmico, de perto, no entanto, causa estranheza não ter turistas por ali, tirando fotos do local, a menos de uma semana para a abertura do Mundial, marcada para o próximo domingo (20/11).
Trabalhadores locais e profissionais da imprensa eram os únicos que apareciam com os celulares empunhados para uma selfie diante da arena na manhã desta terça-feira (15). O local tem capacidade para receber 86.250 pessoas.
Lusail também é uma cidade que carece de vida. Construída a partir do zero pelo governo do Qatar a partir de 2005, quando ser sede do Mundial ainda era apenas um sonho, a região pretende usar o torneio justamente para atrair mais moradores.
Idealizada pelo antigo emir xeque Hamad bin Khalifa al Thani, foi projetada para receber uma população de 200 mil habitantes, ao custo de US$ 45 bilhões (R$ 240 bilhões na cotação atual) para a Qatari Diar, uma construtora estatal.
“Seguindo aqui há uma grande avenida onde os torcedores vão se concentrar”, diz o filipino Jejomar Rizalino, um funcionário encarregado de orientar quem sai do metrô. Mas o local indicado por ele, construído a poucos metros do estádio, também não tem aquele clima de Copa.
As bandeiras dos países estendidas ao longo de um boulevard são algumas das poucas referências de que ali é um local prestes a abrigar torcedores do mundo todo.
Em vez do barulho de instrumentos musicais e cantorias, o som ao redor era de caminhões, tratores e maquinários. O estádio está pronto, mas seu entorno ainda tem obras de aprimoramento de calçadas, paisagismos, pavimentação de ruas e até algumas lojas estão em reforma.
“Tudo isso deve acabar até quinta-feira”, diz um funcionário indiano, de 35 anos, que preferiu não dizer nem seu primeiro nome.
Nos últimos anos, o Qatar passou a ser alvo de intensas críticas de grupos de direitos humanos por causa das denúncias de situações de trabalhos análogas à escravidão, sobretudo com funcionários estrangeiros, que compõe a maior parte da população de cerca de 2,7 milhões de habitantes.
Muitos têm medo de dar entrevistas por receio de serem deportados.
Folhapress





