17/09/2026

Palco da final não tem clima de Copa a cinco dias do início do torneio.

Não é preciso sair da estação Lusail para começar a se impressionar com a arquitetura do Lusail Iconic Stadium, construído para receber dez jogos da Copa do Mundo no Qatar, incluindo dois da seleção brasileira e a final.

Se de longe a arena chama a atenção por seu formato que remete a tigelas de tâmaras da época de ouro do artesanato islâmico, de perto, no entanto, causa estranheza não ter turistas por ali, tirando fotos do local, a menos de uma semana para a abertura do Mundial, marcada para o próximo domingo (20/11).

Trabalhadores locais e profissionais da imprensa eram os únicos que apareciam com os celulares empunhados para uma selfie diante da arena na manhã desta terça-feira (15). O local tem capacidade para receber 86.250 pessoas.

Lusail também é uma cidade que carece de vida. Construída a partir do zero pelo governo do Qatar a partir de 2005, quando ser sede do Mundial ainda era apenas um sonho, a região pretende usar o torneio justamente para atrair mais moradores.

Idealizada pelo antigo emir xeque Hamad bin Khalifa al Thani, foi projetada para receber uma população de 200 mil habitantes, ao custo de US$ 45 bilhões (R$ 240 bilhões na cotação atual) para a Qatari Diar, uma construtora estatal.

“Seguindo aqui há uma grande avenida onde os torcedores vão se concentrar”, diz o filipino Jejomar Rizalino, um funcionário encarregado de orientar quem sai do metrô. Mas o local indicado por ele, construído a poucos metros do estádio, também não tem aquele clima de Copa.

As bandeiras dos países estendidas ao longo de um boulevard são algumas das poucas referências de que ali é um local prestes a abrigar torcedores do mundo todo.

Em vez do barulho de instrumentos musicais e cantorias, o som ao redor era de caminhões, tratores e maquinários. O estádio está pronto, mas seu entorno ainda tem obras de aprimoramento de calçadas, paisagismos, pavimentação de ruas e até algumas lojas estão em reforma.

“Tudo isso deve acabar até quinta-feira”, diz um funcionário indiano, de 35 anos, que preferiu não dizer nem seu primeiro nome.

Nos últimos anos, o Qatar passou a ser alvo de intensas críticas de grupos de direitos humanos por causa das denúncias de situações de trabalhos análogas à escravidão, sobretudo com funcionários estrangeiros, que compõe a maior parte da população de cerca de 2,7 milhões de habitantes.

Muitos têm medo de dar entrevistas por receio de serem deportados.
Folhapress

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