A operação policial que deixou ao menos 22 mortos nesta terça (24/5) na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio de janeiro, já é a terceira mais letal da história recente da região metropolitana da capital fluminense, segundo levantamento do Geni-UFF (Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense).
De acordo com os dados, a ação só perde para o massacre do Jacarezinho em 2021, com 28 mortos, e para a chacina da Vila Operária em Duque de Caxias, em 1998, com 23 mortos.
Segundo a Polícia Militar, a ação desta terça visava prender em flagrante mais de 50 traficantes de vários estados que sairiam em comboio à favela da Rocinha, na zona sul da cidade. O plano, porém, foi frustrado quando uma das equipes à paisana foi descoberta e atacada na entrada da comunidade, por volta das 4h.
O que se seguiu foram horas de confrontos, que acabaram subindo pela comunidade até chegar a uma área de mata que liga a Vila Cruzeiro ao Complexo do Alemão, onde a maioria foi baleada. Entre os mortos também está Gabrielle Ferreira da Cunha, 41, alvejada dentro de casa longe dali.
O levantamento não inclui as chacinas de Vigário Geral (com 21 mortos em 1993) e da Baixada Fluminense (com 29 mortos em 2005), provocadas por policiais que integravam grupos de extermínio, não em operações oficiais como a desta terça.
Nesta terça, o secretário de Polícia Militar também culpou o Supremo Tribunal Federal (STF) pela migração de criminosos ao Rio. “Isso vem acentuando nos últimos meses. Esse esconderijo deles nas nossas comunidades é fruto basicamente dessa decisão do STF [que limitou operações policiais em favelas durante a pandemia de Covid-19]”, disse.
Em junho de 2020, o ministro do STF Edson Fachin restringiu as operações no Rio de Janeiro a casos excepcionais enquanto durasse a pandemia da Covid-19, no âmbito da chamada ADPF (arguição de descumprimento de preceito fundamental) das Favelas.
Folhapress





