-Texto do jornal Folha de São Paulo, divulgado as 20:01.-
“É um cenário de guerra. Rio e mar viraram uma coisa só. Pessoas foram arrastadas pela enxurrada.” A descrição é da advogada Fernanda Carbonelli, moradora de São Sebastião, cidade do litoral norte paulista atingida por chuvas extremas na madrugada deste domingo (19).
A sede da ONG na qual Carbonelli atua, o Instituto Verdescola, está servindo base para o resgate de vítimas dos deslizamentos que atingiram a comunidade Vila Sahy. A região esta totalmente isolada, sem acesso por terra. “Estou com 17 corpos da minha comunidade lá dentro”, contou. “Há muitas crianças. Ainda tem muita gente soterrada aqui.”
Carbonelli afirma que os corpos estão em uma sala fechada, enquanto não chegam instruções sobre como serão realizadas as remoções. O primeiro helicóptero de resgate chegou ao local por volta das 16h e priorizou o transporte de um grupo de três feridos em estado grave.
Um segundo helicóptero não conseguiu pousar novamente no local e, com o cair da noite, a situação fica mais difícil, pois não há energia elétrica. “Não temos ideia da situação morro acima, achamos que tem muita gente nos escombros.”
Já são 24 mortes confirmadas. Como as áreas afetadas estão isoladas, porém, o prefeito Felipe Augusto (PSDB) disse que é grande a possibilidade de um número maior de óbitos.
“A estrada [Rio-Santos] simplesmente não existe mais em alguns trechos. O maior deles, de aproximadamente 500 metros, desapareceu por completo”, afirmou Augusto.
Voluntários estão usando uma trilha para, de motocicleta, acessarem o trecho entre Baleia e Sahy, já que a ponte que liga as localidades não está acessível. “A Defesa Civil está trabalhando manualmente porque não dá para trazer equipamentos”, contou.
Estimativas iniciais do município apontam para cerca de 50 casas atingidas por deslizamentos nos bairros Vila do Sahy e Barra do Sahy ou nas imediações. Essa é a área mais prejudicada e isolada. Carbonelli diz que há cerca de 70 residências soterradas na comunidade.
São Sebastião decretou estado de calamidade pública neste domingo (19) após as fortes chuvas que atingem o litoral norte paulista causarem deslizamentos de terra em diversas áreas do município. A programação de Carnaval para o dia foi cancelada.
Por telefone, Carbonelli contou à Folha que está realizando resgates e atendimentos com o apoio de cinco médicos e um enfermeiro, além da ajuda de um psicólogo no amparo às famílias, todos voluntários da ONG e proprietários de casas nas praias da Baleia e Sahy. “Moradores estão abrindo suas casas de veraneio para abrigar as famílias”, disse.





