
É mesmo Leão 13 a principal inspiração por trás do nome de papa escolhido pelo cardeal americano Robert Prevost. Leão 14 deu a explicação em encontro com cardeais do mundo inteiro, neste sábado (10/5), pouco antes de fazer suas primeiras visitas fora dos muros do Vaticano, uma delas ao túmulo de Francisco.
Como se especulava, o nome é antes de tudo de uma homenagem ao italiano Vincenzo Gioacchino Pecci, papa de 1878 a 1903, lembrado pela preocupação com os problemas sociais de seu tempo.
“Na verdade, são várias as razões, mas a principal é porque o papa Leão 13, com a histórica encíclica ‘Rerum novarum’, abordou a questão social no contexto da primeira grande Revolução Industrial [iniciada no século 18]”, afirmou o papa no discurso que fez aos cardeais.
Outra hipótese relacionava o nome ao frei Leão, braço-direito de são Francisco de Assis —o que seria uma referência à forte ligação do novo papa com seu antecessor.
“Rerum novarum” (latim para “coisas novas”), de 1891, é considerada o texto basilar da doutrina social da Igreja Católica. Condena a exploração da classe operária da época, mas ao mesmo tempo afirma que o socialismo não é a solução.
Leão 14 deu a entender que enxerga um paralelo com as ameaças atuais ao emprego, entre elas a inteligência artificial (IA). “Hoje, a Igreja oferece a todos a riqueza de sua doutrina social para responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho”, afirmou.
O jornal italiano Il Messaggero conjecturou neste sábado que o papa escreverá uma encíclica sobre a IA, uma “Rerum novarum” dos dias de hoje.
“Deu para perceber a preocupação dele, que já tinha também o papa Francisco”, disse à Folha o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner. “A inteligência artificial provavelmente vai diminuir o número de trabalhadores, as carteiras assinadas. Vamos viver de quê? Vamos viver para quem? Por outro lado, ele também ressaltou a importância que a IA tem.”
Dom Leonardo contou que, depois de discursar, o papa deu a palavra a alguns cardeais —eram mais de 200 presentes ao encontro, que durou cerca de duas horas. “Depois fez questão de ficar lá e cumprimentar um por um. Esse é um grande sinal de que será um papa próximo”, contou o brasileiro.
À noite, Leão 14 fez uma aguardada visita ao túmulo de seu antecessor. O novo papa foi à basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e depositou uma rosa sobre a lápide de Francisco. Depois de cerca de meia hora ajoelhado em oração diante da tumba, Leão 14 deixou a igreja em uma van, saudando da janela do veículo os fiéis.
Esperava-se que a primeira aparição pública fora do Vaticano, no pontificado de Leão 14, fosse a visita a Santa Maria Maior. Acabou sendo a segunda.
Horas antes, o papa visitou o santuário da Mãe do Bom Conselho, em Genazzano, pequena cidade da região metropolitana de Roma. O santuário é ligado aos agostinianos, ordem do cardeal Robert Prevost. “Estou feliz por estar aqui com vocês. Assim como a mãe nunca abandona seus filhos, vocês também devem ser fiéis a Nossa Senhora do Bom Conselho.”
Neste domingo (11), às 12h locais (7h de Brasília), o papa recita o Regina Coeli (“Rainha dos Céus”), oração do período pascal, da sacada central da Basílica de São Pedro. Na segunda-feira (12), recebe em audiência os profissionais de imprensa que cobriram o funeral de Francisco e o conclave.
Marcos tradicionais do novo papado vão aos poucos sendo cumpridos. Foram divulgadas a foto oficial, o brasão e a assinatura de Leão 14. Em algumas lojas de Roma, os suvenires com a efígie de Francisco vão dando lugar aos de seu sucessor.
Folhapress





