Em sua primeira agenda oficial na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (13/4) da posse simbólica da ex-presidente Dilma Rousseff no comando do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco dos Brics, que tem sede na cidade chinesa.
Na cerimônia, que marcou a volta de Dilma à cena pública após um longo período de recolhimento, Lula exaltou o papel dos países emergentes na redefinição do tabuleiro do poder global, com redução das desigualdades, da fome e dos efeitos das mudanças climáticas, criticou frontalmente o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, sem meias palavras, questionou o dólar como moeda dominante no comércio mundial.
Lula fez um discurso que soa como música aos ouvidos de sua anfitriã China, em franca campanha para se contrapor à hegemonia americana – a dita “aproximação estratégica” do país asiático com o Brasil, a ser selada no encontro que o brasileiro terá nesta sexta-feira com o presidente Xi Jinping em Pequim, tem sido usada pelos chineses como parte desse plano.
Ao defender que o banco dos Brics facilite o financiamento de projetos capazes de ajudar a melhorar a vida das pessoas nos países emergentes e em desenvolvimento, Lula pregou a libertação “das amarras e condições impostas pelas instituições tradicionais” que emprestam recursos e, segundo ele, depois se dão o direito de interferir na economia e nos governos desses países. Essas instituições, disse, “pretendem nos governar sem que tenham mandato para isso”.
Lula foi aplaudido em diversas oportunidades pela plateia de mais de 200 pessoas, incluindo representantes de outros países dos Brics, que o assistiam. O vice-ministro da Relações Exteriores da China, Xi Feng, estava presente.
Além de exaltar a importância do Banco dos Brics como alternativa ao modelo de financiamento imposto pelos países ricos às nações mais pobres, Lula defendeu a reforma do FMI e do Banco Mundial e falou em usar “de maneira criativa” o próprio Brics e o G20 (grupo dos 20 países mais ricos do mundo, que o Brasil vai presidir em breve) para “reforçar os temas prioritários para o mundo em desenvolvimento na agenda internacional”.
Metrópoles





