“O jeito mais fácil de alugar um DVD!”, dizia uma das primeiras versões do site da Netflix. De locadora para um serviço com 220 milhões de assinantes que transformou a forma de se consumir séries e filmes, a empresa completa 25 anos nesta segunda-feira (29/8) sob o risco de abandonar um passado inovador.
Fundada em 29 de agosto de 1997, nos Estados Unidos, a empresa começou como um site de aluguel de DVDs. O usuário escolhia o filme e recebia o disco por correio em casa.
O tamanho e o preço do produto favoreciam essa logística. Fitas VHS, que ainda dominavam o mercado, eram mais caras e corriam o risco de sofrer danos no transporte. Isso foi um salto em relação ao sistema das locadoras tradicionais, como a Blockbuster.
“No aluguel de DVDs pela internet, os filmes sempre estão disponíveis, não há filas e o cliente pode ficar quanto tempo quiser com o disco, sem multas por atraso na devolução. Ir à locadora na chuva no domingo à noite é coisa do passado”, explica uma reportagem da Folha de abril de 2005.
Essa lógica é parecida com a que a Uber aplicou há dez anos. Criar tecnologias que reduzem as “fricções”, obstáculos entre o cliente e o serviço.
O fim das multas surgiu como uma vantagem incontestável. Era uma empresa cujos ganhos não dependiam de deslizes dos clientes, mas da fidelidade deles. E funcionou.
“Grande parte dos lucros da Blockbuster vinha de multas por atraso. Se o seu modelo de negócios depende de induzir sua base de clientes a se sentir idiota, dificilmente você obterá muita lealdade por parte deles”, escreve o CEO da empresa Reed Hastings no livro “A regra é não ter regras”.
O site da então NetFlix, com duas letras maiúsculas, foi ao ar em 1998. Em 2000, já contava com 300 mil assinantes e cem funcionários, mas teve um prejuízo de US$ 57 milhões.
Naquele mesmo ano, Hastings reuniu-se com John Antioco, então CEO da Blockbuster, para oferecer sua empresa pequena e deficitária à gigante do entretenimento. A ideia era integrar o serviço de aluguel de DVDs online ao sistema da rival. Antioco, contudo, rejeitou.
“Não era óbvio na época, nem mesmo para mim, mas nós tínhamos uma coisa que a Blockbuster não tinha: uma cultura que colocava as pessoas acima dos processos, que enfatizava mais a inovação do que a eficiência e que mantinha pouquíssimos controles”, escreve Hastings no livro.
A Blockbuster entrou com pedido de falência em 2010.
A trajetória de inovação da Netflix começa com o aluguel de DVDs. Depois, vieram o streaming, a transmissão de conteúdo original produzido por estúdios externos e, por último, a produção por estúdios próprios.
O streaming chegou dez anos depois, em 2007. Primeiro aos EUA, depois ao Canadá e à América Latina. O serviço estreou no Brasil em 5 de setembro de 2011. Hoje, só está indisponível na China, Síria, Coreia do Norte e Rússia.
Nos últimos anos, contudo, a ascensão de outros serviços balançou a hegemonia da Netflix.
A competição acirrou ainda mais durante a pandemia, quando as políticas de isolamento social fizeram com que os streamings fossem mais acessados. As ações da Netflix nunca valeram tanto quanto em 2020 e 2021. Nesse período, a empresa saltou de 161,1 milhões para 221,8 milhões de assinantes.
Mas a entrada da concorrência fez as empresas se preocuparem cada vez mais com os balanços. Agora, passam a cortar o orçamento de algumas produções, restringir o compartilhamento de senhas e considerar a criação de planos mais baratos, com anúncios –medidas impopulares.
Folhapress





