17/09/2026

Netflix chega aos 25 anos com hegemonia contestada e cara de TV.

“O jeito mais fácil de alugar um DVD!”, dizia uma das primeiras versões do site da Netflix. De locadora para um serviço com 220 milhões de assinantes que transformou a forma de se consumir séries e filmes, a empresa completa 25 anos nesta segunda-feira (29/8) sob o risco de abandonar um passado inovador.

Fundada em 29 de agosto de 1997, nos Estados Unidos, a empresa começou como um site de aluguel de DVDs. O usuário escolhia o filme e recebia o disco por correio em casa.

O tamanho e o preço do produto favoreciam essa logística. Fitas VHS, que ainda dominavam o mercado, eram mais caras e corriam o risco de sofrer danos no transporte. Isso foi um salto em relação ao sistema das locadoras tradicionais, como a Blockbuster.

“No aluguel de DVDs pela internet, os filmes sempre estão disponíveis, não há filas e o cliente pode ficar quanto tempo quiser com o disco, sem multas por atraso na devolução. Ir à locadora na chuva no domingo à noite é coisa do passado”, explica uma reportagem da Folha de abril de 2005.

Essa lógica é parecida com a que a Uber aplicou há dez anos. Criar tecnologias que reduzem as “fricções”, obstáculos entre o cliente e o serviço.

O fim das multas surgiu como uma vantagem incontestável. Era uma empresa cujos ganhos não dependiam de deslizes dos clientes, mas da fidelidade deles. E funcionou.

“Grande parte dos lucros da Blockbuster vinha de multas por atraso. Se o seu modelo de negócios depende de induzir sua base de clientes a se sentir idiota, dificilmente você obterá muita lealdade por parte deles”, escreve o CEO da empresa Reed Hastings no livro “A regra é não ter regras”.

O site da então NetFlix, com duas letras maiúsculas, foi ao ar em 1998. Em 2000, já contava com 300 mil assinantes e cem funcionários, mas teve um prejuízo de US$ 57 milhões.

Naquele mesmo ano, Hastings reuniu-se com John Antioco, então CEO da Blockbuster, para oferecer sua empresa pequena e deficitária à gigante do entretenimento. A ideia era integrar o serviço de aluguel de DVDs online ao sistema da rival. Antioco, contudo, rejeitou.

“Não era óbvio na época, nem mesmo para mim, mas nós tínhamos uma coisa que a Blockbuster não tinha: uma cultura que colocava as pessoas acima dos processos, que enfatizava mais a inovação do que a eficiência e que mantinha pouquíssimos controles”, escreve Hastings no livro.

A Blockbuster entrou com pedido de falência em 2010.

A trajetória de inovação da Netflix começa com o aluguel de DVDs. Depois, vieram o streaming, a transmissão de conteúdo original produzido por estúdios externos e, por último, a produção por estúdios próprios.

O streaming chegou dez anos depois, em 2007. Primeiro aos EUA, depois ao Canadá e à América Latina. O serviço estreou no Brasil em 5 de setembro de 2011. Hoje, só está indisponível na China, Síria, Coreia do Norte e Rússia.

Nos últimos anos, contudo, a ascensão de outros serviços balançou a hegemonia da Netflix.

A competição acirrou ainda mais durante a pandemia, quando as políticas de isolamento social fizeram com que os streamings fossem mais acessados. As ações da Netflix nunca valeram tanto quanto em 2020 e 2021. Nesse período, a empresa saltou de 161,1 milhões para 221,8 milhões de assinantes.

Mas a entrada da concorrência fez as empresas se preocuparem cada vez mais com os balanços. Agora, passam a cortar o orçamento de algumas produções, restringir o compartilhamento de senhas e considerar a criação de planos mais baratos, com anúncios –medidas impopulares.
Folhapress

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