17/09/2026

Musical ‘O Fantasma da Ópera’ deixa a Broadway datado e ultrapassado.

Anunciado em setembro, o fim da longa temporada de 38 anos de “O Fantasma da Ópera” na Broadway marca o ponto derradeiro de uma era dos palcos nova-iorquinos, que, durante as últimas décadas, teve a máscara branca como símbolo de um dos maiores pontos turísticos da cultura americana.

O fim se deu meramente por questões financeiras, com a falta de turistas e a inflação galopante do pós-pandemia comendo as cifras da bilheteria semanal da produção. Contudo, verdade seja dita, o fato de o musical não ter envelhecido com a dignidade que se espera de uma obra dessa magnitude talvez também contribua para o fim de sua trajetória.

Há um anacronismo nas análises que leem “O Fantasma da Ópera” como um musical machista, em que a mocinha surge dividida entre o amor doentio e abusivo de dois homens. Um, aficionado por seu talento vocal, almeja que ela seja sua. O outro exige que ela deixe a profissão e, ato contínuo, também seja sua.

De um espetáculo situado no final do século 19, que joga luz sobre a aristocracia francesa, qual outra abordagem se pode esperar das relações amorosas? Esta é uma análise óbvia. Contudo, o problema da obra vai além —e chega efetivamente às canções de Andrew Lloyd Webber.

Celebrado como um dos principais compositores do teatro musical, Webber compôs alguns dos espetáculos mais interessantes da década de 1970, entre eles “Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat”, de 1968, “Jesus Cristo Superstar”, de 1970, e “Evita”, de 1978, conhecidos como sua tríade dourada, muito graças à colaboração do letrista Tim Rice, responsável pelo mergulho do compositor na contracultura inglesa e no rock progressivo.

Em “O Fantasma da Ópera” não há nem sequer uma canção que roce o grande songbook popular, assim como não é possível tirar da obra uma música que se aproveite sem a opulência de uma orquestra equipada com sintetizadores.

O mesmo aconteceu com obras posteriores do compositor. Ainda que seja um dos melhores papéis para qualquer atriz madura, Norma Desmond de “Sunset Boulevard” tem um dos piores roteiros para seguir, ainda que ganhe de presente bons momentos, como “With One Look” e “As if We Never Said Goodbye”, alçadas ao patamar de inesquecíveis por Barbra Streisand.
Folhapress

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