
É muito fácil delinear o crânio sob o rosto do menino, a pele pálida esticando-se apertada sobre cada curva do osso, flácida em cada cavidade. Seu queixo se projeta com uma nitidez perturbadora. Sua carne encolheu e enrugou, a vida reduzida a pouco mais do que uma máscara fina sobre uma morte iminente.
Em uma série de fotografias jornalísticas do menino Yazan Kafarneh, tiradas com a permissão de sua família enquanto ele lutava pela vida, seus olhos com cílios compridos olhavam para fora, desfocados. Na foto amplamente compartilhada em redes sociais, sua mão direita, enfaixada em um acesso intravenoso, se contrai em um ângulo estranho, um marcador visível de sua paralisia cerebral.
Ele tinha dez anos, mas nas fotografias dos seus últimos dias numa clínica no sul da Faixa de Gaza, parece pequeno para a idade e ao mesmo tempo velho. Na segunda-feira (4/3), Yazan estava morto.
As fotos de Yazan que circulam nas redes sociais rapidamente fizeram dele o rosto da fome em Gaza.
Grupos de ajuda alertaram que as mortes por causas relacionadas à desnutrição apenas começaram para os mais de 2 milhões de habitantes da região. Cinco meses após o início da campanha de Israel contra o Hamas e do cerco a Gaza, centenas de milhares de palestinos estão à beira da fome, dizem os responsáveis das Nações Unidas.
Quase nenhuma ajuda chegou ao norte do enclave palestino durante semanas, depois de as principais agências da ONU terem suspendido suas operações, citando os saques em massa de suas cargas por pessoas desesperadas, as restrições israelenses a comboios e a má condição das estradas danificadas durante a guerra.
Pelo menos 20 crianças palestinas morreram de desnutrição e desidratação, segundo autoridades de saúde de Gaza. Tal como Yazan, que precisava de medicamentos que eram extremamente escassos no lugar, muitos dos que morreram também sofriam de problemas de saúde que colocavam ainda mais suas vidas em risco, disseram as autoridades sanitárias.
The New York Times





